Cinco Votos para Obter Poder Espiritual.

Primeiro - Trate Seriamente com o Pecado. Segundo - Não Seja Dono de Coisa Alguma. Terceiro - Nunca se Defenda. Quarto - Nunca Passe Adiante Algo que Prejudique Alguém. Quinto - Nunca Aceite Qualquer Glória. A.W. Tozer

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Pare de murmurar!

 

Qual foi a última vez que você reclamou?


Eu moro na Filadélfia, e este último inverno foi um dos piores que eu já vivi. De novembro a março, tudo o que eu ouvia era: “Está tão frio. Eu odeio a neve. Não posso esperar pelo verão”.

A Filadélfia também tem a tendência de ficar desconfortavelmente quente, e imagine o que eu já comecei a ouvir? “Está tão quente. Está tão úmido. Não posso esperar pelo outono”.

Talvez você seja anormal e não reclame do clima, mas você reclama de alguma coisa. Acaso você já ficou em frente ao seu guarda-roupa, repleto de roupas, e murmurou: “Eu não tenho nada para vestir…”? Acaso você já olhou a geladeira, repleta de comida, e suspirou: “Não há nada para comer…”?

Eis a realidade: onde quer que você viva, com quem quer que você esteja, não importa que momento do dia seja, e a despeito de qualquer circunstância, você tem a impressionante habilidade de reclamar de alguma coisa!

Filipenses 2.14


  Em sua carta aos santos em Filipos, o apóstolo Paulo escreve: “FAZEI TODAS AS COISAS sem murmurações nem contendas” (Filipenses 2.14, ARC, ênfase acrescida).

  
 Você pode imaginar um único dia eu não seja de algum modo arruinado por reclamações? Imagine acordar de madrugada e estar completamente livre de estresse e pressão. Imagine deitar à noite e dormir com um coração completamente satisfeito com cada situação do dia.

Imagine ser um pai e não reclamar do seu filho. Imagine ser um cônjuge e não reclamar de seu marido ou esposa. Imagine ser um cidadão e não reclamar do seu vizinho ou do governo. Imagine ser um trabalhador e não reclamar do seu chefe ou patrão.

  
  Agora, não há dúvida de que o mundo e as pessoas nele irão devastar a sua vida. Haverá razões santas para gemer e orar por mudança (Romanos 8.23). Porém, com mais frequência do que o contrário, suas reclamações revelam o seu coração egoísta e as coisas que você deseja (Lucas 6.45).

Meu desejo é olhar para as duas palavras que Paulo usa – murmuração e contenda – e explorar o que elas dizem acerca do nosso coração.

Murmuração – “Eu mereço algo melhor”


  Murmuração tem a ver com o lado emocional da reclamação. A tradução em português é onomatopeica, o que significa que a palavra representa de modo audível a sua definição. Talvez você deva esperar até estar sozinho para tentar isso, mas se você murmurar a palavra “murmurar” repetidas vezes, ela tem o zumbido da reclamação: “mmuurrmmmuraar, mmrrmm, mmrrmm, mmrrmm”.


  A murmuração diz: “Eu mereço algo melhor!”. Quando nós murmuramos, nós nos inserimos no centro do nosso universo e achamos que tudo na vida é sobre nós. Quando não conseguimos o que queremos, imediatamente quando queremos e precisamente como queremos, nós murmuramos. É a representação audível de um coração capturado pelo reino claustrofóbico do eu.

Contenda – “Eu sei o que é melhor”


  Contenda pode ser traduzida por “discussão” (Nova Versão Internacional) ou “questionamento” (Sociedade Bíblica Britânica). Ela simplesmente diz: “Eu sei o que é melhor! Se eu governasse o meu mundo, eu faria X, Y e Z de outra forma”. Você está questionando a soberania e a sabedoria de Deus.

É claro que você nunca iria comprometer publicamente a sua teologia, mas, nos momentos privados da sua vida, você verdadeiramente questiona quem deveria ser Deus. Talvez você não chegasse ao ponto de substituir Deus, mas você tentaria e acrescentaria um quarto assento na Santíssima Trindade!

Sete lembretes


  O que você deve fazer quando se sente impelido a murmurar e contender? Eu sempre digo que você é o pregador mais influente da sua vida, porque ninguém prega a você tanto quanto você mesmo. Então, pregue a si mesmo!

Abaixo estão sete dos meus versículos favoritos que me lembram de por que eu não preciso murmurar ou contender. Há dúzias, talvez milhares além destes, então encontre alguns que você possa atar ao seu coração e pendurar ao pescoço (Provérbios 6.20):

  • MURMURAÇÃO: a única coisa que merecemos é a morte (Salmo 103.10), mas em vez disso nós recebemos vida (Romanos 3.24) e tudo o mais de que precisamos para viver (2Pedro 1.3), então não precisamos estar ansiosos (Mateus 6.25-32).
  • CONTENDA: Deus é desde o princípio (Gênesis 1.1), ele planejou por completo a história de sua vida (Atos 17.26) e o seu plano é para a glória dele e para o seu bem (Jeremias 29.11).

  Pregar a si mesmo será útil, mas você (ou seu pastor) nunca será seu salvador. Sua única esperança é encontrada naquele que desceu de seu reino celestial para libertar você da escravidão ao reino do ego.

Achegue-se ao Rei do Reino de Deus e experimente a alegria e a paz que ele pode dar à sua alma!

***
Por: Paul David Tripp. © 2014 The Southern Baptist Theological Seminary. Original: Grumbling and disputing.
Tradução: Vinícius Silva Pimentel. © 2014 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. 

Fonte: Voltemos ao Evangeho
                                                                                                     

Compartilhando o evangelho de forma simples




   Com quantos não cristãos você conversa face a face regularmente, fora do horário de expediente? Com quantos deles você compartilha o evangelho? Pela minha experiência, parece que muitos dos círculos presbiterianos e reformados não possuem conhecidos fora da igreja. Infelizmente, isso afeta negativamente a forma com que as pessoas compartilham o evangelho. Antes que eu me aprofunde, entretanto, você deve estar pensando como eu devo saber que tantos cristãos em nossos círculos não possuem um grande número de conhecidos e/ou amigos descrentes com quem eles conversem e com quem eles gastem tempo regularmente.  Não digo que com todo mundo seja assim, mas perguntei para muitas pessoas como e com quem elas gastam tempo. Na grande maioria das vezes, fora das atividades do dia a dia (por exemplo, trabalho e tempo familiar), os cristãos com quem conversei ou estão nas atividades da igreja ou estão passando o tempo com outros cristãos. Em outras palavras, eles não passam muito tempo com descrentes.

  Eu, por exemplo, sou extremamente agradecido por irmãos e irmãs em Cristo passarem o tempo juntos. Eu repetidamente enfatizo aos santos de nossa igreja que eles precisam abrir seus lares uns para os outros para ficarem juntos. Isso traz várias oportunidades para nos conhecermos melhor, partirmos o pão e falarmos sobre o Deus triúno. Se, no entanto, as únicas pessoas com quem você gasta seu tempo e com quem você fala sobre Deus são cristãos, isso pode afetar negativamente sua habilidade de partilhar o evangelho de forma simples.

  Há alguns anos, eu levei alguns estudantes do Westminster Seminary California (onde estudei) à universidade local. A intenção era compartilhar o evangelho, convidar estudantes universitários à igreja e/ou às nossas casas, e os conhecermos. Em diversas ocasiões, os seminaristas ficaram chocados com o quão dispostos os estudantes universitário estavam para conversar sobre Cristianismo. Isso era uma boa notícia. A má notícia é que alguns seminaristas não sabiam como falar de Jesus sem usar as palavras justificação, imputação da justiça, consumação, reino de Deus ou outros clichês cristãos como “cobertos pelo sangue”. Na verdade, alguns estudantes admitiram que não conseguiam compartilhar o evangelho de forma simples porque eles tinham se imergido no linguajar seminarista/bíblico/teológico.

  Se você já fala do evangelho com descrentes por algum tempo, provavelmente você já se achou nessa situação de ter de explicar tudo que esteja relacionado com o evangelho. Nossa cultura, ao menos em minha experiência, exige isso. Se você não está ao menos parcialmente imerso na cultura, particularmente no que diz respeito a ter amigos não crentes, você usará, sem a explicar, a linguagem da Bíblia para falar do evangelho e, assim, errará o alvo.

  A linguagem bíblica e teológica que nós utilizamos com nossos amigos cristão é boa mas, por favor, considere mudar sua linguagem e explicar o que você quer dizer quando fala do evangelho com descrentes. Se não o fizer, provavelmente estará falando em línguas estranhas com eles (1 Cor. 14.20-23).

***
Fonte: Reforma 21
Traduzido por Victor Bimbato | Reforma21.org | Original aqui 
                                                                                                  

Uma crítica ao libertarismo

.  

Por John Frame


O libertarismo tem uma longa história na teologia cristã. A maioria dos pais da igreja sustentava mais ou menos essa posição, até que Agostinho a questionou, durante a controvérsia pelagiana. Desde aquele tempo, então, tem havido contenda entre as concepções agostinianas e pelagianas de liberdade, resultando, às vezes, em oscilantes misturas das duas. Tanto Lutero como Calvino sustentavam um compatibilismo agostiniano, mas os socianos e, mais tarde os arminianos, apresentavam vigorosas defesas do libertarismo. Hoje em dia, o conceito libertário prevalece em grande parte do cristianismo evangélico e entre os filósofos cristãos. Teologicamente, é defendido pelos arminianos tradicionais, pelos adeptos do teísmo aberto, pelos pensadores do processo, e muito outros. Poucos teólogos se opõem a esse conceito atualmente, exceto alguns calvinistas envergonhados, e até mesmo alguns pensadores da tradição reformada gravitam em direção ao libertarismo ou falam sobre o assunto de modo obscuro. 

No entanto o libertarismo está sujeito a severas críticas:

1. Os dados bíblicos citados no capitulo 4 (A eficácia do controle exercido por Deus) acerca do controle de Deus sobre as decisões humanas, até mesmo sobre os pecados humanos, são incompatíveis com o libertarismo. A Escritura deixa claro que as nossas escolhas são governadas pelo plano de Deus, apesar do fato de que somos totalmente responsáveis. 

2. A Escritura não ensina explicitamente a existência de uma liberdade libertaria. Não há nenhuma passagem que possa ser interpretada como dizendo que a vontade humana é independente do plano de Deus e dos demais componentes da personalidade humana. Geralmente os libertários nem sequer tentam estabelecer sua posição mediante exegese direta [...]. Antes, eles tentam deduzi-la de outro conceito bíblico, tais como a responsabilidade humana propriamente dita e os mandamentos, exortações e declarações do divino que implicam responsabilidade humana. No entanto, nessa tentativa, eles aceitam um grande ônus de prova, que os argumentos não confirmam. O libertarismo é, na verdade, uma noção filosófica técnica, que faz várias pressuposições sobre causalidade, sobre a relação da vontade com a ação, a relação da vontade como caráter e com desejo, e a limitação da soberania de Deus. É um esforço tremendo derivar todos esses conceitos técnicos da ideia bíblica da responsabilidade humana, e vou procurar mostrar abaixo que as tentativas dos libertários de fazer isso estão longe de obterem sucesso. E, se eles falham em fazer face a esse ônus de prova, então temos que abandonar ou o libertarismo ou a sola Scriptura

3. A Escritura nunca baseia a responsabilidade humana (no sentido de obrigação de prestar contas) na liberdade libertária, ou, quanto a essa questão, em nenhum outro tipo de liberdade. Somos responsáveis porque Deus nos criou, é nosso dono e tem direito de avaliar a nossa conduta. Portanto, de acordo com a Escritura, a autoridade de Deus é a base necessária e suficiente da responsabilidade humana. Às vezes, a nossa capacidade ou incapacidade é relevante para o juízo de Deus e, portanto, para a nossa responsabilidade no sentido de arcar com as consequências, como vimos. Mas a Escritura nunca sugere que a liberdade libertária tem alguma relevância, nem mesmo para a questão de arcar com as consequências. 

4. Tampouco a Escritura indica que deus dá algum valor positivo à liberdade libertária (mesmo que admitamos que ela exista). Esse é um ponto significativo, porque a defesa do livre arbítrio contra o problema do mal argumenta no sentido de que Deus dá tão alto valor à livre escolha humana que a deu às criaturas até com o risco de que elas poderiam trazer mal para o mundo. Pode-se imaginar, então, que a Escritura teria inúmeras declarações demonstrando que atos livres, sem causa, praticados pelas criaturas, são tão tremendamente importantes para Deus, que lhe dão glória. Mas a Escritura nunca sugere que Deus honra escolhas sem causa, de modo nenhum, ou sequer reconhece a sua existência. 

5. Na verdade, ao contrário, a Escritura ensina que no céu, o estado consumado da existência humana, não seremos livres para pecar. Logo, o mais elevado estado da existência humana será um estado sem liberdade libertária. 

6. A Escritura nunca julga a conduta de ninguém referindo-se à sua liberdade libertária. E Escritura nunca declara alguém inocente porque a sua conduta não era livre no sentido libertário; também jamais declara alguém culpado apontando para a sua liberdade libertária. Nós já vimos que, às vezes, a Escritura se refere implicitamente à liberdade ou à capacidade no sentido compatibilista. Mas nunca se refere à liberdade num sentido demonstravelmente incompatibilista. 

7. A verdade é que a Escritura condena algumas pessoas por atos que, claramente, não eram livres no sentido libertário. Esses atos mencionados no capitulo 4 sob o titulo “Pecados, encaixam-se nesta categoria, como a traição de Jesus por Judas. Até mesmo o adepto do teísmo aberto, Gregory Boyd, admite que o ato de traição de Judas não foi livre no sentido libertário. 

8. Nos tribunais civis, nunca se presume que a liberdade libertária é condição para que haja responsabilidade moral. Consideremos Hubert, assaltante de banco. Se a culpa pressupusesse liberdade libertária, então, para mostrar que Hubert era culpado, o promotor teria que mostrar que a decisão de roubar um banco foi sem nenhuma causa. Porém, que prova o promotor poderia apresentar para mostrar isso? Provar algo negativo é sempre difícil, e, evidentemente, seria impossível mostrar que a decisão interior de Hubert foi completamente independente de um decreto divino, ou de uma causa natural, ou do caráter, ou de algum motivo O mesmo se aplicaria a qualquer processo criminal. O libertarismo tornaria impossível provar a culpa de quem quer que fosse. 

9. De fato, os tribunais civis normalmente presumem o oposto do libertarismo, ou seja, que a conduta dos criminosos provém de motivos. Por conseguinte, muitas vezes os tribunais passam muito tempo discutindo se o acusado tinha um motivo adequado para cometer o crime. Se fosse possível mostrar que o ato de Hubert não dependeu de motivos, nesse caso, provavelmente, ele seria julgado insano e, portanto, não responsável, em vez de ser julgado culpado. Na verdade, se o ato de Hubert fosse completamente independente do seu caráter e dos seus desejos e motivos, poder-se-ia muito bem perguntar em que sentido esse ato foi realmente de Hubert. E, se não foi ato de Hubert, como pode ele ser responsável pelo mesmo? Vemos, pois, que, em vez de ser o fundamento da responsabilidade moral, o libertarismo a destrói. 

10. A Escritura contradiz a proposição segundo a qual somente decisões não causadas são moralmente responsáveis. Como vimos no capitulo 4, Deus, na Escritura, muitas vezes suscita ações livres, e até mesmo atos pecaminosos, dos seres humanos, sem diminuir nem um pouco a responsabilidade deles. No presente capítulo, temos visto que o controle soberano de Deus sobre os atos humanos e a responsabilidade do homem pelos mesmos atos são frequentemente mencionados na mesma passagem.

11. A Escritura nega que temos a independência requerida pela teoria libertária. Não somos independentes de Deus, pois ele controla as livres ações humanas. Tampouco podemos escolher agir independentemente do nosso caráter e do nosso desejo. Conforme Mateus 7.15-20 e Lucas 6.43-45, a boa árvore produz bom fruto, e a árvore ruim produz fruto ruim. Se o coração da pessoa está certo e é reto, seus atos serão certos e retos; do contrário, seus atos serão maus. 

12. Segue-se, pois, que o libertarismo viola o ensino bíblico concernente à unidade da personalidade humana no coração. A Escritura ensina que os corações humanos, e, portanto, as nossas decisões, são ímpios por causa da Queda, mas que a obra redentora de Cristo e o poder regenerador do Espirito Santo purificam o coração para que os nossos atos possam ser bons. Somos seres humanos caídos e renovados como pessoas completas. Essa integridade da personalidade humana não é possível numa construção libertária, porquanto, com base nessa ideia, a vontade sempre terá que ser independente do coração e de todas as outras faculdades. 

13. Se a liberdade libertária fosse necessária para a responsabilidade moral, Deus não seria responsável pelos seus atos, uma vez que ele não tem liberdade para agir contra seu caráter santo. Do mesmo modo, os santos glorificados no céu não seriam moralmente responsáveis, uma vez que não podem cair novamente em pecado. Se eles tivessem a liberdade libertária, poderiam cair em pecado, como Orígenes especulou, caso em que a redenção realizada por Jesus seria insuficiente para dar o devido tratamento ao pecado, pois não poderia alcançar a inconstância inerente do livre arbítrio humano. 

14. Essencialmente, o libertarismo é uma generalização altamente abstrata do principio segundo o qual a incapacidade limita a responsabilidade. Os libertários dizem que, se as nossas decisões padecem de algum tipo de incapacidade, significa que não somos verdadeiramente livres e não somos verdadeiramente responsáveis por elas. Já vimos que a incapacidade limita a responsabilidade até certo ponto, mas que esse princípio nem sempre é válido, que sempre padecemos de alguns tipos de incapacidade e, portanto, que o citado princípio deve ser utilizado com grande cautela. O libertarismo lança a cautela aos ventos. 

15. O libertarismo é inconsistente, não apenas com a preordenação divina de todas as coisas, mas também com o seu conhecimento dos acontecimentos futuros. Se Deus sabia que em 1930 eu usaria uma camisa verde no dia 21 de julho de 1998, isso significa que eu não sou livre para evitar usar tal camisa nesta data. Pois bem, os libertários defendem a tese de que Deus conhece os acontecimentos sem causá-los. Mas, se em 1930, Deus conhecia os acontecimentos de 1998, sobre que base os conhecia? Os calvinistas respondem que Deus os conhece porque conhece os próprios planos para o futuro. Mas como, sobre uma base arminiana, Deus poderia saber do meu ato livre a ocorrer 68 anos depois? Minhas decisões são governadas por uma cadeia deterministas de causas e efeitos finitos? Haverá alguma força ou alguma pessoa, que não Deus, que torna certo os acontecimentos futuros – um ser que Deus observa passivamente? (Essa é uma possibilidade assustadora, dificilmente consistente com o monoteísmo.) Nenhuma dessas respostas, nem qualquer outra na qual posso pensar, é consistente com o libertarismo. Por essa razão, os defensores do teísmo aberto, como os proponentes socinianos de Calvino, negaram o elemento-chave do arminianismo tradicional, ou seja, o pré-conhecimento exaustivo de Deus. Esse passo é drástico, como veremos em nossa posterior discussão sobre o conhecimento de Deus [conhecimento médio]. Parece-me que els seriam mais sábios se rejeitassem o libertarismo, em vez de reconstruírem drasticamente a sua teologia para torna-la consistente o libertarismo. 

16. Os libertários, como Pinnock e Rice, tendem a fazer da sua visão do livre arbítrio uma verdade central, inegociável, com a qual todas as outras declarações teológicas têm de ser forçada a ser compatíveis. Assim é que a liberdade libertária assume uma espécie de posição paradigmática ou pressuposicional. Mas, como vimos, o libertarismo é anti-escriturístico. Já seria suficientemente ruim adotar o libertarismo. Mas fazer dele uma verdade central ou uma perspectiva governante é realmente muito perigoso. Um erro incidental pode ser corrigido sem muita dificuldade. Mas quando esse erro se torna um principio importante, uma grelha pela qual todas as outas declarações doutrinárias são filtradas, significa, nesse caso, que é um sistema teológico que corre grave perigo de sofre naufrágio. 

17. As defesas filosóficas do libertarismo frequentemente recorrem à intuição como a base para a crença do livre arbítrio. Isto é, toda vez que nos defrontamos com uma escolha, achamos que poderíamos fazê-la de um modo ou de outro, até mesmo contra o nosso desejo mais forte. Às vezes temos consciência, dizem eles, de que estamos combatemos os nossos desejos mais fortes. Mas, seja o que for que alguém diga, em geral, sobre recorrer à intuição, essa jamais pode ser a base para uma negativa universal. Quer dizer, a intuição nunca pode revelar a ninguém que as suas decisões não têm causa. Nunca temos nada que possa ser descrito como um sentido de falta de causação. 

Tampouco a intuição pode revelar-nos que todos os nossos atos têm uma causa exterior. Se todos os nossos atos fossem determinados por algum meio alheio a nós, não poderíamos identificar essa causação nem por intuição nem por sensação ou percepção, pois não teríamos nenhum modo de comparar uma percepção de causação com uma percepção de não causação. Podermos identificar influencias que às vezes prevalecem sobre nós e às vezes não - forças às quais resistimos com êxito, mas nem sempre. Porém, não podemos identificar forças que constante e irresistivelmente determinam os nossos pensamentos e a nossa conduta. Logo, a intuição nunca nos revela se somos determinados por causas alheias a nós ou não. 

18. Se o libertarismo é verdadeiro, então de alguma maneira Deus teria limitado a sua soberania de modo que não faz tudo o que acontece. Porém, a Escritura não contém nenhuma alusão a que Deus tenha limitado em algum grau a sua soberania. De Gênesis 1 a Apocalipse 22, Deus é o Senhor. Ele é sempre totalmente soberano. Ele faz tudo quanto lhe apraz (Sl 115.3). Ele realiza tudo de acordo com o conselho da sua vontade (Ef 1.11). Além disso, é da própria natureza de Deus ser soberano. Soberania é seu nome, o real significado do nome Yahweh, em termos de controle e de autoridade. Se Deus limitasse a sua soberania, ele se tornaria algo menos que Senhor de tudo e de todos, algo menos do que Deus. E se Deus se tornasse algo menos do que Deus, ele se destruiria. Deixaria de existir. Podemos ver que as consequências do libertarismo são realmente graves. 
***
Por: FRAME, John. A doutrina de Deus; São Paulo; Cultura Cristã, 2013. Págs. 121-124.
Fonte: Bereianos  
                                                                                                                        

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

E-mail a um jovem cristão que frequenta casas de show

 

.

Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


DE: Augustus Nicodemus
PARA: castilho@barzinho.com.ws
ASSUNTO: Re: Por que não posso continuar a frequentar casas de show?
-------------------------------------------

Caro Castilho,

Gostei da nossa conversa ontem, mas vejo que você continua com algumas dúvidas. Obrigado por mandar este e-mail para esclarecer o que talvez não tenha ficado claro.

Eu não sou contra ouvir boa música. E boa música nem sempre é feita por cristãos. Mas, com isto, eu não quis dizer que frequentar casas de shows, pubs e barzinhos para ouvir estas músicas, bebendo uma cervejinha, é a coisa certa a fazer. Você me perguntou no e-mail o que há de errado em fazer isto. Assim, de pronto, posso pensar em algumas razões.

Eu frequentei casas de show, pubs e barzinhos a maior parte da minha mocidade, antes de conhecer a Cristo. Eu sei muito bem o que rola numa boite e nestes lugares. O ambiente é totalmente voltado para sexo, bebida, drogas e nem poucas vezes a coisa acaba em discussão e brigas. É claro que isto nem sempre rola, mas o potencial está ali. O que se exalta ali é o ego humano, o prazer irrestrito e uma suposta liberdade sem limite. Paulo escreveu que devemos evitar “toda forma do mal” – inclusive aquilo que pode nos levar a ele ou que tem aparência do mal (1Tess 5:22).

Outra razão. Deus nos ensina na Bíblia que somos servos dos nossos irmãos em Cristo. Eu jamais deveria usar minha liberdade de forma a induzir, ocasionar, incentivar e levar um irmão em Cristo a cometer pecado. Paulo falou que se a comida ou a bebida levasse um irmão a tropeçar ele jamais comeria carne ou beberia vinho outra vez (Romanos 14:21; 1Coríntios 8:13).

Você pode se sentir tranquilo e seguro bebendo cerveja num pub. Mas imagine que um irmãozinho novo na fé lhe vê ali fazendo isto. Ele vai ser induzido a pensar que está de boa se fizer a mesma coisa. E vai imitar você, com o risco de embebedar-se, e fazer o que não deve, para não mencionar a culpa que vai sentir no "day after". É Paulo quem cita este exemplo, leia 1Coríntios 8:9-12. E ele diz que ao fazer isto, você está pecando contra Cristo. Por amor aos irmãos em Cristo, deveríamos nos abster destas coisas.

Mais uma razão que me ocorre. Sua atitude de querer curtir tudo o que o mundo oferece e ainda se considerar como cristão é idêntica à atitude de uma das primeiras e mais perigosas seitas que já apareceram na história do Cristianismo, que foi a seita dos libertinos. Eles se consideravam cristãos e diziam que tinham recebido um conhecimento especial da parte de Deus, de que poderiam desfrutar de tudo, que nada é pecado para quem crê e que Deus nos aceita livremente como somos. Assim, eles ensinavam que os cristãos eram livres para frequentar os templos pagãos, comer das carnes oferecidas aos ídolos ali e praticar a prostituição “sagrada” oferecida nestes templos. Os escritores da Bíblia enfrentaram estes cristãos libertinos firmemente. Judas, o irmão de Jesus, os considera ímpios e que eles negavam a Jesus (Judas 4). O próprio Jesus condenou severamente as igrejas de Pérgamo e Tiatira por abrigarem libertinos no seu rol de membros. Inclusive, havia uma profetisa chamada Jezabel que ensinava claramente que os cristãos podiam participar dos festivais pagãos nos templos de ídolos e se prostituir ali (Apocalipse 2:14-15 e 20). O que eu quero dizer é que sua atitude lhe empurra mais para perto dos libertinos do que dos cristãos.

Uma última coisa, e para mim, a mais importante. Acho que você está fazendo as perguntas erradas. Por que em vez de perguntar o quão longe você pode ficar do pecado e de tudo que leva a ele, você fica perguntando o quanto você pode ficar perto do pecado e de situações que podem levar a ele? Se você é nascido de novo, tem o Espírito Santo, é nova criatura, está arrependido de seus pecados e ama a Deus de todo coração – não deveria estar perguntando o que pode fazer para ficar mais perto dele e longe de tudo que pode entristecê-lo?

Castilho, estas coisas nunca vêm sozinhas. Junto com frequência a casas de show, bebidas e curtição de shows sempre vêm sexo entre jovens cristãos que não são casados. Muitas vezes acaba em motel ou no banco de trás do carro. Sobre isto falaremos outra vez. Mas lembre do que diz a Palavra de Deus: “um abismo chama outro abismo” (Salmo 42:7).

Fico por aqui. Longe de mim querer privá-lo de sua liberdade em Cristo. Meu único interesse é que você a use da forma correta. Existem dezenas de maneiras sadias de fazer novos amigos, curtir os atuais e se divertir. Por que seguir o caminho do que é duvidoso, polêmico e potencialmente perigoso para sua vida espiritual?

Um abraço amigo,

Pr. Augustus

[Este e-mail é fictício. "Castilho" é uma personagem fictícia, embora as circunstâncias mencionadas neste e-mail não sejam]

***
Fonte: Perfil do autor no Facebook


                                                                 
                                                                      

Redes Sociais

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...