Cinco Votos para Obter Poder Espiritual.

Primeiro - Trate Seriamente com o Pecado. Segundo - Não Seja Dono de Coisa Alguma. Terceiro - Nunca se Defenda. Quarto - Nunca Passe Adiante Algo que Prejudique Alguém. Quinto - Nunca Aceite Qualquer Glória. A.W. Tozer

terça-feira, 29 de março de 2016

A CILADA DO LOUVOR GOSTOSO E ATRAENTE

 
Recentemente, enquanto cortava o cabelo, surgiu um papo sobre igrejas e a confusão que causavam nos arredores. O gerente (que não é crente) disse o seguinte:
“Cara, passei na frente de uma igreja lá perto de casa. A porta tava aberta e lá dentro deu pra ver que tava tudo escuro, com aquelas luzes estroboscópicas e um som altão. Parecia mais uma boate! É pra ser boate ou igreja? Nem tinha cara de igreja.”
Fiquei com vergonha de estar numa posição de ter que defender algo sem defesa. Me resumi a concordar meio cabisbaixo.
A verdade é que aquela afirmação me incomodou profundamente. A questão não é tanto “Que cara deve ter a igreja?”, já que temos igrejas com diversas “caras” e essa é uma conversa para outro espaço. Mas o que me tira do sério em relação a isso é o fato de eu conhecer os argumentos por trás daquela “igreja” (ou boate, segundo o gerente). “Precisamos de uma música legal para atrair os jovens! Precisamos atrair os que não são crentes! Assim fica ‘mais fácil’ louvar, pois me sinto mais livre!”
Já ouvi todos esses argumentos antes… Mas não consigo defender nenhum deles. Aliás, não poderia discordar mais! Mas não basta discordar, apenas. Tenho que dar uma explicação.

O QUE É LOUVOR?

Antes de responder aos argumentos, temos que definir os termos. Dentre as diversas definições de louvor disponíveis, creio que esta, de Bob Kauflin, seja sucinta e bem completa:
            “O louvor cristão é a resposta do povo redimido e com Deus à sua auto revelação que celebra e exalta a glória de Deus em Cristo nas nossas mentes, afetos e vontades, por meio do poder do Espírito Santo.”
Alguns pontos essenciais a destacar:

1. O NÃO CRENTE NÃO PODE LOUVAR A DEUS

O louvor é uma atividade exclusiva do povo de Deus, uma resposta à revelação do Pai, pela obra do Filho, por meio do Espírito Santo. O louvor só pode vir de um coração que reconhece a obra de Cristo e o tem como Senhor e Salvador. Fora disso, o louvor cristão simplesmente NÃO FAZ SENTIDO!
Pense no seguinte: quando louvo à minha esposa, reconhecendo, exaltando e celebrando suas virtudes e tudo que ela é na minha vida, que sentido faz isso na voz de outro? Quem é que pode, como eu, afirmar tais coisas? Ninguém! Ela é a minha esposa e o relacionamento que tenho com ela é exclusivo. Esse louvor não faria sentido na boca de mais ninguém, a não ser do marido dela.
Assim é com o povo de Deus. Como é que um coração não regenerado pode louvar a Deus pela sua obra? Não pode! Mais ainda, como é que um coração não regenerado, não alcançado pelo Espírito Santo pode sequer afirmar Cristo como Senhor e Salvador? Não pode! 1 Coríntios 12:3 diz claramente: “… ninguém pode dizer: ‘Jesus é Senhor’, a não ser pelo poder do Espírito Santo.”

2. O NÃO CRENTE NÃO QUER NADA COM DEUS

Quando afirmamos que vamos atrair alguém para o louvor, partimos do pressuposto de que há algo de atraente nele. Primeiro, o louvor cristão só faz sentido se for direcionado a Deus. Ou seja, a única atração possível no louvor tem que ser o objeto da adoração. A atração pela adoração em si ignorando o objeto da mesma é ridículo. E a verdade é que o não crente não só ignora o objeto da adoração, como o rejeita e foge dele! Romanos 1:21 e 3:10,11 deixam claros que nós todos rejeitamos a glória de Deus e não o buscamos, de maneira alguma! Ou seja, o ser humano, sem a ação do Espírito Santo para lhe converter, simplesmente não tem vontade alguma de louvar a Deus!

3. QUANDO LOUVAMOS A DEUS, O FAZEMOS PELO PODER O ESPÍRITO SANTO, E ISSO NOS TRANSFORMA COMPLETAMENTE

O louvor é uma resposta que vem pelo poder do Espírito Santo, não de nós. Nossa mente, coração e vontades mudam. Contrariamos a carne para produzir uma resposta que só pode vir pela ação do Espírito Santo. Nós reconhecemos a Deus, nós exaltamos, celebramos e temos prazer na glória de Deus somente porque o Espírito Santo mudou nossa mente e nossas afeições e vontades, completamente.
Tendo dito isso, pensemos em alguns pontos a respeito do louvor “para atrair os descrentes” e o “louvor gostoso”.

1. O LOUVOR NÃO ATRAI O NÃO CRENTE. MAS TALVEZ A MÚSICA ATRAIA… E ISSO NÃO É NECESSARIAMENTE UMA COISA BOA

Como dissemos acima, o louvor não atrai o não crente. Mas fica a pergunta para os que usam a música como instrumento para atração: a qual aspecto do louvor você está chamando a atenção? Se for para a mensagem da música (supondo que ela seja fundamentada na Palavra de Deus), então é o Espírito Santo que vai atrair, e não a execução. Aliás, a execução pode ser a pior possível, pois é o Espírito Santo que fala por meio da sua Palavra. Agora, se o não crente é atraído pelo “clima gostoso”, por que ele continua lá? Por que razão um não crente participa da exaltação daquilo que ele rejeita, de um Deus do qual ele foge?
A verdade é que, em alguns casos, ele se sente bastante à vontade simplesmente porque aquilo que deveria causar confronto e rejeição não está presente! E se ele fica pela boa música… então não faz diferença se for louvor ou não. De boa música, a rádio e as casas de show estão cheias.

2. A MÚSICA NÃO DEVE OCUPAR UM LUGAR QUE NÃO LHE PERTENCE

Um pressuposto que corre por trás disso tudo é que a música cumprirá um papel que não lhe é atribuído. A música serve ao louvor, e não o louvor à música. Quando definimos o louvor a partir da música como instrumento de atração, a colocamos num lugar que pertence à Palavra de Deus e ao Espírito Santo. Romanos 10:17 não diz “A fé vem pelo ouvir… a boa música… ou… o canto da congregação… ou a música bonita que toca.” A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. Agora, se o louvor inclui letras que falam da obra de Deus, que pregam a Palavra, que citam trechos das Escrituras, aí já é outra história, pois aí é a Palavra e o Espírito que agem, não a direção musical.

3. NÃO PRECISAMOS DE UM AMBIENTE GOSTOSO POIS “É MAIS FÁCIL LOUVAR”

Primeiro: O PRAZER NÃO É UM PRINCÍPIO DE LOUVOR.
Segundo: O LOUVOR NÃO PODE SER CONDICIONAL.
Muitos falam sobre criar um clima de adoração ou facilitar o agir de Deus, o fluir do espírito. Mas a verdade é que o verdadeiro louvor é algo que necessariamente contraria a carne! Como falamos acima, o louvor é algo que vai contra a nossa natureza caída. Ou seja, muitas vezes, o nosso louvor precisa ser sacrificial e contra o nosso próprio prazer!
Há também outras perguntas que surgem: Como é um ambiente ideal para o louvor? Por acaso seria uma prisão fria e sem música? Afinal, Paulo e Silas louvaram ali, certo? E será que quando Davi diz no Salmos 34:1, “Bendirei o Senhor o tempo todo! Os meus lábios sempre o louvarão”, ele tinha em mente um ambiente específico? Será que “o tempo todo” e “sempre o louvarão” eram algo restrito a um contexto que ele deixou de fora do Salmo? Não. O ambiente ideal para o louvor é na boca de um pecador, de um coração regenerado que reconhece a Cristo como Senhor e Salvador.
O louvor pode ser prazeroso? Não, de forma alguma. Não é o louvor em si que nos traz prazer, e sim o encontro que temos com Deus em meio aos louvores, a confrontação com o nosso pecado e a paz que excede todo o entendimento que temos por meio do reconhecimento e afirmação do Filho e sua obra na cruz.
É fácil louvar? Se você entender o alto preço que foi pago e a punição que Cristo sofreu em nosso lugar, então sim, é fácil louvar. Se não for por isso, então não vai ser gelo seco, luz meio apagada e uma batida legal que vão facilitar o louvor.
O louvor não depende das nossas circunstâncias, mas sim daquilo que JÁ FOI FEITO na cruz! Logo, podemos e devemos louvar, sempre!

4. O “AMBIENTE GOSTOSO” PREGA UM FALSO EVANGELHO

Voltando à premissa de que ninguém busca a Deus: não há um ser humano sequer que não busque paz, felicidade, amor, plenitude do ser e outras palavras bonitas. E nós sabemos que encontramos tudo isso em Deus. Mas se colocamos a carroça na frente dos bois, estamos fazendo a coisa errada. Se alguém vem para a igreja e encontra Deus, ele encontrará todas essas coisas. Mas lembre-se de que o mundo rejeita a Deus. É bem capaz de alguém entrar na sua igreja com “um ambiente legal e acolhedor” e encontrar todas essas coisas, mas não Deus. E aí ele continuará tão perdido quanto no dia em que entrou.
Leve as pessoas a um encontro com Deus, não com os benefícios que esse encontro traz, somente. Pois no dia em que ela não sentir mais paz e alegria, ela continuará a sua busca em outro lugar. Mas se estiver buscando a Deus e o encontrar, aí não terá outro lugar para estar, se não ali mesmo.
Concluindo, quando colocamos a música acima da Palavra, o canto acima da confissão, o ambiente externo acima do coração quebrantado, preparamos uma tremenda cilada para descrentes, visitantes e para nós mesmos. Quando colocamos questões secundárias no lugar daquilo que é essencial, desvirtuamos e corrompemos o louvor, colocando o homem como critério e alvo da nossa adoração, e não a Deus.
Eu espero que um dia aquele gerente possa passar na frente de uma igreja e ver algo que tenha “cara de igreja”, ou seja, um ajuntamento de pecadores reunidos celebrando e cantando sobre a obra redentora do seu Senhor e Salvador. Quem sabe, ele não ouça a mensagem do Evangelho e venha a conhecer a Deus nesse dia.
Por: Andrew McAlister
Fonte: Site Cante as Escrituras 

terça-feira, 22 de março de 2016

Visão do Alto | Erro grosseiro do papa Francisco

 



Fonte: Canal do YouTube  Redenção IBR


Depravação Total (TULIP) - Augustus Nicodemus

 






Sexo, poder e dinheiro: cuidado com quem domina você.

 

por Mark Jones

“Se você quer saber quem domina você, descubra quem você está proibido de criticar” (Voltaire)
Se as três irmãs da graça são fé, esperança e amor, também podemos dizer que as três irmãs da carne são sexo, poder e dinheiro.
Anos atrás, eu fui alertado sobre essas irmãs da carne.
Todos nós somos constituídos de maneira diferente em corpo e alma. E nossas constituições naturais alimentam desejos particulares, pois o corpo e alma possuem um relacionamento orgânico entre si. Além disso, a posição social de uma pessoa também tem implicações para os tipos de pecado que ela comete: aqueles que são prósperos são inclinados a certos pecados, aqueles que são pobres a outros. Aqueles que têm grande intelecto são inclinados ao orgulho. Os pais devem ser cuidadosos antes de chamar seus filhos de o próximo Einstein.
Certos pecados são mais dominantes em diferentes estágios da vida. Uma criança possui um coração que será inclinado a certos pecados somente mais tarde. Além disso, os desejos pecaminosos dos indivíduos duram de acordo com suas variadas vocações. Judas roubou porque ele era pecador, e também porque, como tesoureiro, foi colocado diante de uma oportunidade fácil de roubar.
Para responder à objeção de que certos pecados são contrários a outros e que os homens não são dados a todos os tipos de cobiça, Thomas Goodwin explica que as pessoas são inclinadas a diferentes pecados em diferentes estágios de suas vidas. Assim, o jovem pródigo pode tornar-se cobiçoso quando for idoso. Também é verdade que algumas pessoas têm antipatia por certos pecados, mas essa antipatia não é moral, mas física, “ou porque seus corpos não suportam ou por algum outro incômodo que eles veem naquilo” (Goodwin). Um hipocondríaco pode não visitar uma prostituta por temor de ficar doente, em vez de temor de Deus.
A tentação para Davi ter Bate-Seba foi fortalecida pelo fato de que ele podia ter Bate-Seba. Essa tentação para a lascívia foi obviamente diferente para Davi quando ele era velho. Se nós pudéssemos ter qualquer mulher que quiséssemos, provavelmente lutaríamos muito mais com tentação sexual do que fazemos. O quaterback bonitão da universidade normalmente tem tentações maiores com mulheres que o capitão-assistente da equipe de xadrez.
Talvez nós devamos agradecer a Deus agora porque não somos particularmente atraentes ou bonitos; nós podemos agradecer a Deus porque não desfrutamos de muitos sucesso; nós podemos descobrir um dia que ele nos manteve pobre (ou com a aparência relativamente mediana) para nos salvar e guardar de muitos pecados.
Nós podemos não achar que dinheiro é tentação até que a porta para o dinheiro se abra um pouquinho. Logo, como um leão provando sangue pela primeira vez, a porta se abre, nossos bolsos começam a ficar cheio daquilo que nos controla, e estamos indefesos contra a putrefação que se iniciou. Tudo isso para dizer que não sabemos o quanto amamos o dinheiro até que se torne realmente uma tentação real. Fique alerta: aqueles que lhe dão dinheiro provavelmente também controlam você de alguma forma. E, assim, você rapidamente é incapaz de criticá-los de qualquer maneira, forma ou jeito. Você se torna cada vez mais cego, como os ídolos a quem você serve (Sl 115). Eu fico feliz que meu empregador é a igreja local e nenhuma organização tem controle sobre mim porque me pagam um monte de dinheiro.
Nós podemos não achar que amamos o poder até que tenhamos um gosto do poder. Tudo o que eu tenho visto até agora em círculos reformados tem somente me convencido que não somente o dinheiro corrompe, mas o poder corrompe ainda mais. De fato, quanto mais dinheiro, mais poder. Aqueles que estão no poder podem rapidamente cultivar uma cultura do medo. Como Voltaire disse, “Se você quer saber quem domina você, descubra quem você está proibido de criticar”. Eu acho que alguns de nós poderiam achar esse exame bastante desconfortável.
M’Cheyne disse bem: “As sementes de todos os pecados estão em meu coração e talvez o mais perigoso é que eu não as vejo”. Imagine ter amigos que realmente desafiarão você e lhe dirão que você está sendo estúpido!

Traduzido por Josaías Jr
Fonte: Reforma 21 


quinta-feira, 10 de março de 2016

quarta-feira, 9 de março de 2016

A Questão das Riquezas














Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.(Mateus 6:24)

 Jesus explica, agora, que além da escolha entre dois tesouros (onde vamos ajuntá-los) e entre duas visões (onde vamos fixar os nossos olhos) jaz uma escolha ainda mais básica: entre dois senhores (a quem vamos servir). É uma escolha entre Deus e Mamom: “Não podeis servir a Deus e a Mamom” (ERC); isto é, entre o próprio Criador vivo e qualquer objeto de nossa própria-criação que chamamos de “dinheiro” (“Mamom” é uma transliteração da palavra aramaica para riqueza). Não podemos servir dos dois.


Algumas pessoas discordam destas palavras de Jesus. Recusam-se a ser confrontadas com uma escolha tão rígida e direta, e não vêem a necessidade dela. Asseguram-nos que é perfeitamente possível servir a dois senhores simultaneamente, por conseguirem fazer isso muito bem. Diversos arranjos e ajustes possíveis parecem-lhes atraentes. Ou eles servem a Deus aos domingos e a Mamom nos dias úteis, ou a Deus com os lábios e a Mamom com o coração, ou a Deus na aparência e a Mamon na realidade, ou a Deus com metade de suas vidas e a Mamom com a outra.


Pois é esta solução popular de comprometimento que Jesus declara ser impossível: Ninguém pode servir a dois senhores...Não podeis servir a Deus e às riquezas (observe o “pode” e o “não podeis”). Os pretensos conciliadores interpretam mal este ensinamento, pois se esquecem da figura de escravo e dono de escravo que se encontra por trás destas palavras. Como McNeile disse: “Pode-se trabalhar para dois empregadores, mas nenhum escravo pode ser propriedade de dois senhores”, pois “ter um só dono e prestar serviço de tempo integral são da essência da escravidão”. Portanto, qualquer pessoa que divide sua devoção entre Deus e Mamom já a concedeu a Mamom, uma vez que Deus só pode ser servido com devoção total e exclusiva. Isto simplesmente porque ele é Deus: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem”. Tentar dividir a nossa lealdade é optar pela idolatria.


E quando percebemos a profundidade da escolha entre o Criador e a criatura, entre o Deus pessoal glorioso e essa coisinha miserável chamada dinheiro, entre a adoração e a idolatria, parece inconcebível que alguém faça a escolha errada, pois agora é uma questão não apenas de durabilidade e benefício comparativos, mas sim de valor comparativo: o valor intrínseco de um e a intrínseca falta de valor do outro.

por   John Stott


Fonte: Site Monergismo 





terça-feira, 8 de março de 2016

Onisciência e Livre-arbítrio não podem se compatibilizar

 

Predestinação em Jó - Gordon Haddon Clark

O próximo livro é o de Jó. Se esse livro foi escrito por ou sobre alguém que viveu nos dias de Abraão, podemos ver quão cedo e quão enfaticamente Deus revelou o princípio da predestinação. O apóstolo Paulo, embora o tenha proclamado irrefragavelmente, chegou atrasado. Muito do livro de Jó pode ser chamado de material de pano de fundo. Tais passagens não tornam todas as coisas explícitas, mas dificilmente fazem sentido fora da doutrina calvinista.

Por exemplo, no capítulo 1 Satanás aparece no Céu diante de Deus.

Eles discutem sobre a justiça de Jó. Eis o teste descrito: “E disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão.” Quando os desastres e a perda de sua parentela tomaram lugar, “em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.” Então Satanás pediu para atormentar Jó em seu corpo, pois tinha dito: “Porém estende a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se não blasfema contra ti na tua face!”. Ao que Deus replicou: “Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida.”


Os arminianos, usualmente, estão inteiramente contentes em ter Deus “permitido” coisas, coisas más, acontecerem. Eles não estão desejosos em dizer que Deus causa o acontecimento delas. E eles se perturbam até à indignação se alguém diz que Deus causa um homem escolher o mal. Os calvinistas perguntam: Pode a primeira ser mantida sem a última?

Pode ser observado, em primeiro lugar, que o próprio Satanás considera a sua tortura sobre Jó como algo feito por Deus. “Porém estende a tua mão”, diz Satanás, “e toca-lhe na carne”. Se não desenvolvermos esse ponto – reconhecendo que Satanás era a causa imediata da miséria de Jó, e até mesmo dizer que Deus “permitiu” isso tudo – a idéia de permissão dificilmente absolve Deus da variedade arminiana de responsabilidade. Deus sabia o que Satanás faria; e Deus disse: “Faça.” O texto em si mesmo chama a atenção para o ponto de que Satanás nada pode fazer sem a permissão de Deus. O fato que Satanás estava nas mãos de Deus não é algo que os arminianos podem aprovar.

Mas há mais. Mesmo antes do capítulo 2, os Sabeus destruíram alguns dos filhos de Jó à espada. Omito o fogo do versículo 16. Os Caudeus assassinaram alguns outros servos e roubaram os camelos. Para cumprirem-se essas coisas, os sabeus e os caldeus tiveram que decidir fazê-las. O capítulo certamente sugere, sem dúvidas, que Satanás poderia efetivar essas tragédias. Então ele deve ter sido capaz de controlar as volições dessas pessoas. Que seja dito uma vez, e que seja dito duas vezes, que Satanás não poderia ter usado os saqueadores a não ser que Deus tivesse lhe dado permissão. Mas permanece o fato que Satanás controlou o que os arminianos reputam como livre-arbítrio. Contudo, vontades “livres” são aquelas que não são causadas por nada.

Jó 10:8-9 repete uma idéia encontrada antes, e que será repetida por todo o Antigo e Novo Testamento com ênfase crescente. O versículo diz: “As tuas mãos me fizeram… como barro me formaste.” Visto que as implicações do Oleiro e do barro vêm à tona posteriormente, aqui podemos avançar para a próxima passagem.

Jó 14:5, lê-se: “seus dias estão determinados… tu lhe puseste limites, e não passará além deles.” Isso, de fato, obviamente indica que Deus controla a extensão da vida de uma pessoa. Essa predestinação abrangente não perturba nossos oponentes. Contudo, esse é um dos muitos detalhes que, quando reunidos, mostram que Deus governa todas as suas criaturas e todas as ações delas. A referência a “limites, e não passará além deles” pode também significar nada mais que a extensão da vida. Mas se talvez, como Atos 17:26, isso inclua “limites da sua habitação”, a inferência seria que Deus determina onde o homem escolhe viver, de tal maneira que não poderia escolher um outro lugar.

Há muitas passagens que por si mesmas não estabelecem a doutrina da predestinação total. Os arminianos podem corretamente insistir que os argumentos baseados nelas são logicamente inconclusivos. A despeito disso, são enumerados tantos detalhes aqui e acolá, que a descrição como um todo favorece a predestinação total e é destituída de qualquer menção contrária. Por exemplo, Jó 15:14 ensina que os bebês não nascem justos, ou mesmo neutros, mas definitivamente pecaminosos. Mais convincente é Jó 19:8-20. Essa passagem indica que Deus mudou os pensamentos e considerações dos irmãos de Jó, conhecidos, parentes, servas, domésticos, filhos e esposa. Note que Deus não apenas causou certos tormentos físicos, mas ele causou, no povo mencionado, a mudança de suas atitudes em relação a Jó. Nada nessa calamitosa situação ocorreu sem a atividade divina.

Em 23:10, Jó reconhece que Deus eventualmente o faria sair como ouro; não obstante isso, esses males são o que Deus deseja (v. 13): “O que a sua alma quiser, isso fará. Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito... Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-Poderoso me perturbou.” No primeiro capítulo Satanás havia pedido permissão para fazer essas coisas, mas Jó reconhece que elas foram ações de Deus.

Outra idéia começa a emergir em Jó 31:4, uma idéia que é claramente contrária à doutrina do livre-arbítrio. O versículo diz: “Ou não vê ele os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?” À primeira vista isso pode parecer que Deus, após ter sido ignorante por um tempo, começou a olhar para Jó e contar seus passos. Assim, Deus aprendeu algo que não sabia antes. Esse é o motivo da sentença acima dizer que uma outra idéia começa a emergir. A idéia é relativa ao conhecimento de Deus. Versículos posteriores darão uma explanação mais adequada do conhecimento de Deus, e então se tornará evidente que onisciência e livre-arbítrio não podem se compatibilizar.

A seguir, seria bom ler Jó 33:4-17, no qual essas frases aparecem: “do barro também eu fui formado… observa todas as minhas veredas… não responde acerca de todos os seus feitos… revela ao ouvido dos homens, e lhes sela a sua instrução, para apartar o homem daquilo que faz…”.

Novamente a Escritura diz que Deus é o oleiro e nós somos o barro. Ele faz cada um de nós o tipo de vaso que escolhe. Ninguém pode chamá-lo para prestar contas; ele não é responsável a nós, nem a alguém outro. Se lhe agrada mudar nossos propósitos e escolhas, ele assim o faz.


Se algum homem tenta considerar Deus responsável por algo, Deus responde (Jó 38:4, 31): “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência… Ou poderás tu ajuntar as delícias do Sete-estrelo ou soltar os cordéis do Órion?”. Não é prerrogativa humana replicar contra Deus. “Porventura o contender contra o Todo-Poderoso é sabedoria? Quem argüi assim a Deus, responda por isso” (Jó 40:2). Essas não são palavras de um calvinista direcionadas a Tiago Armínio e John Wesley. São palavras de Deus!

Mas talvez o versículo mais forte, dentre todos esses, é Jó 42:2. Na King James Version lê-se: “Eu sei que tu podes fazer todas as coisas, e que nenhum pensamento pode ser retido de ti.”A America Standard Version 1901 faz isso um pouco mais claro: “Eu sei que tu podes fazer todas as coisas, e que nenhum dos teus propósitos pode ser restringido.” Deus pode fazer todas as coisas.


Ele pode e muda os pensamentos dos homens. Era seu propósito que Judas deveria escolher trair Cristo. Judas não poderia ter escolhido de outra maneira.
Sua vontade não era livre. De outro modo, Judas poderia ter arruinado o plano eterno de Deus e violado todas as profecias. Era também o propósito de Deus mudar a vontade de Paulo. Paulo não poderia ter resistido à visão celestial. Doutra sorte, Paulo poderia ter arruinado o plano de Deus para a pregação do Evangelho aos gentios.


E toda essa teologia foi revelada a Jó talvez tão cedo quanto 2000 a.C.

- Tradução: Jazanias de Assis Oliveira

- Fonte: Monergismo 
- Fonte (Original): Predestination, Gordon H. Clark, Presbyterian and Reformed Publishing Co., páginas 168-72.

- Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Via: Página Peregrino Puritano 




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