Cinco Votos para Obter Poder Espiritual.

Primeiro - Trate Seriamente com o Pecado. Segundo - Não Seja Dono de Coisa Alguma. Terceiro - Nunca se Defenda. Quarto - Nunca Passe Adiante Algo que Prejudique Alguém. Quinto - Nunca Aceite Qualquer Glória. A.W. Tozer

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Lições de Martin Bucer para pastores (Parte 2 de 2)

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Sobre as Escrituras

Qual é a coisa mais eficaz que um pastor pode fazer para edificar uma igreja saudável? Como um pastor deve responder a uma ovelha fraca que está lutando muito contra o pecado? Qual é a cura para a raiz do pecado? Em resposta a essas perguntas que os pastores enfrentam, Bucer oferece a mesma resposta: as Escrituras. Mesmo Sobre o Verdadeiro Cuidado das Almas faz esta afirmação extensivamente a partir da Bíblia. Bucer começa cada capítulo com passagens que fornecem um fundamento para o seu raciocínio subsequente.
Falando sobre ovelhas fracas e em sofrimento, Bucer afirma que “o mais importante que deve ser feito é apontar para elas e adverti-las de que devem participar das reuniões da igreja com toda a diligência, ouvir com expectativa a Palavra de Deus, receber os santos sacramentos e serem zelosas e reverentes em todas as práticas da igreja” (168). Em outras palavras, Bucer argumenta que o plano de restauração e crescimento espiritual da Bíblia é prestar atenção à pregação da Palavra e receber a administração da Ceia do Senhor. Em nosso mundo de entretenimento cheio de “gurus” de autoajuda, o plano bíblico de ouvir a Palavra silenciosamente e receber humildemente a Ceia pode parecer fraco. No entanto, nunca devemos esquecer, como Bucer nos faz lembrar, que essas disciplinas aparentemente inconsequentes compreendem o plano de Deus para a saúde espiritual. Portanto, os pastores que buscam o bem-estar de seu rebanho enfatizarão tal plano.
Bucer exaltou a Palavra, porque ela fornece a cura para a raiz de nossas ações pecaminosas: a incredulidade. “Uma vez que todas as enfermidades e fraquezas na vida cristã decorrem da fraqueza e da ignorância da fé, e a fé vem pela Palavra de Deus e é fortalecida e encorajada por ela, todo o fortalecimento da ovelha fraca e enferma depende da Palavra de Deus fielmente anunciada a elas, e que elas sejam levadas a ouvi-la com prazer e tenham toda a sua alegria nela” (167). Expressando-o de modo simples, o cuidado pastoral começa com as Escrituras e, como pastores, devemos garantir que aqueles que estão sob nossos ministérios a recebam em abundância. Mais do que qualquer outra coisa, esse é o caminho para a saúde espiritual.
Sobre a evangelização
Finalmente, fico impressionado que mesmo antes do chamado “Movimento de Missões Modernas” e no contexto da chamada Europa “Cristã”, Bucer repetidamente exorta os pastores a buscarem os perdidos. Ele anuncia “o chamado e ordem apostólicos para ir até as pessoas de fora” (88). Ele argumenta que “os ministros de Cristo devem fazer tudo o que puderem para encorajar as pessoas à comunhão com Cristo, de modo que fique evidente que eles estejam compelindo as pessoas a entrar” (75).
Pastor, companheiro irmão ou irmã no Senhor: Como você tem se preocupado com a evangelização? Quando você vê alguém totalmente separado de Cristo, há uma tristeza que o leva a orar e a falar quando a ocasião surge? Bucer e a Bíblia não conhecem nenhuma categoria de um pastor que está ocupado demais estudando para buscar as ovelhas perdidas. Como Bucer observou com veemência, um verdadeiro pastor sai e busca aqueles que estão perecendo. Ele encerra o seu capítulo “Como as ovelhas perdidas devem ser buscadas” com essas palavras pungentes aos pastores que não buscam os perdidos: “O Senhor acusará esses pastores desleais ​​e infiéis com grande repúdio: a [ovelha] perdida não buscastes (Ezequiel 34.4) (89).


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Fonte: Voltemos ao Evangelho 



Lições de Martin Bucer para pastores (Parte 1 de 2)

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Como um presbítero, acho útil ler livros de pastores que compreenderam o evangelho bíblico, ainda que tenham vivido em diferentes séculos, continentes e culturas. Embora os principais pontos afirmados por esses homens raramente sejam completamente novos, contudo, encontro uma percepção nova e encorajamento específico a partir das perspectivas únicas desses homens.
Escrito na Europa no início do século XVI, Concerning the True Care of Souls [Sobre o Verdadeiro Cuidado das Almas], apresenta uma ilustração da séria e alegre responsabilidade do pastoreio. Martin Bucer escreveu o livro para que os cristãos “entendam minuciosamente o que é a igreja de Cristo, qual a regra e a ordem que ela deve ter, quem são os verdadeiros ministros e como eles devem exercer o seu ministério no cuidado das almas” (xxxiii). Embora existam muitas pérolas pastorais no livro, este resumo enfocará em alguns pontos que os pastores podem aplicar no ministério hoje.

O contexto de Bucer
Martin Bucer (1491-1551) não é tão conhecido quanto João Calvino ou Martinho Lutero, mas durante o século XVI, os escritos de Bucer e a reforma da igreja em Estrasburgo tiveram muita influência. Por exemplo, Calvino olhou para a eclesiologia de Bucer quando se esforçou para reformar Genebra. Bucer também obteve uma reputação como um mediador que buscava a unidade teológica mesmo quando esta parecia improvável.
Embora haja muito o que aprender com Bucer e “Sobre o Verdadeiro Cuidado das Almas”, ele ainda omite algumas questões. Por exemplo, sua compreensão da relação entre a igreja e o estado, embora melhorada em relação à cristandade medieval, permanece confusa. Além disso, seu uso regular do termo “penitência” não é útil, pois poderia ser mal interpretado que ele estava ensinando teologia semelhante à teologia dos Católicos Romanos.
Sobre o arrependimento genuíno
Em uma recente reunião de presbíteros na igreja em que eu ajudei o pastor, discutimos sobre o que fazer com um membro que repetidamente fornica e depois expressa ostensivamente estar arrependido. Esta situação, comum nos dias de Bucer e Calvino, é talvez ainda mais prevalente em nossos dias. Como os pastores hoje respondem aos membros que cometem pecado público grave, como a prostituição repetida ou o divórcio ilegítimo? Bucer argumenta que a igreja deve lidar com esses pecados graves “com grande seriedade e verdade, e não pode omitir ou perdoar os pecados de ninguém, exceto daquele sobre quem pode ser reconhecido, na medida do possível, estar verdadeiramente triste por seus pecados e comprometido de todo o seu coração a caminhar em retidão. Mas essa verdadeira tristeza e compromisso com a reforma após pecados mais sérios e grosseiros não é provada por alguém que se afasta do pecado que cometeu, simplesmente por dizer: ‘Sinto muito, não o farei novamente’ (118; cf.. 160 -161). Falando sobre a mesma situação, Bucer afirma posteriormente que a igreja deve buscar “muitos e sérios indícios de seu arrependimento” (161).
Ecoando a seriedade com que as Escrituras lidam com esses pecados (cf.. 1 Coríntios 6.9-11; Efésios 5.3-7; Gálatas 5.19-21), Bucer fornece uma correção útil para o nosso tempo em que podemos nos tornar habituados com aquilo que a nossa cultura e corações pecaminosos celebram. Então, companheiro presbítero, como você está avaliando um arrependimento genuíno, especialmente em casos de pecados públicos e graves? O membro em questão toma medidas para evitar o pecado, como romper um relacionamento, encontrar um novo emprego ou mudar a sua situação de moradia? Se não, considere ser apropriado atentar ao conselho de Bucer: “Não é correto que [a igreja] perdoe alguém assim que diz: ‘Eu me arrependo dos meus pecados’, quando não há nada que indique este arrependimento” (136). Bucer observa que “todo cristão verdadeiramente arrependido se comprometerá de forma muito sincera e alegre com toda a correção e humilhação propostas pela igreja, pois ele terá mais consciência da misericórdia de Deus e do amor verdadeiro de todos os santos” (134). Embora seja impossível discernir perfeitamente o arrependimento e a motivação de alguém, os pastores podem e devem buscar sinais de que um arrependimento professado é genuíno, recusando-se a aceitar alguém que simplesmente diz: “Desculpem-me, não farei mais isso” (161).
Sobre a disciplina eclesiástica
Para pessoas do século XXI como eu, o tema da disciplina eclesiástica soa como algo rude e abusivo. Ainda que se exercida indevidamente com certeza, e tristemente, pode sê-lo, porém Bucer fornece uma visão diferente. Conhecido como um homem pacificador do século XVI, Bucer afirmou que “se a igreja realizar esta disciplina com adequado fervor, o Senhor, o principal Médico das pobres almas, a abençoará com êxito e um grande e notável fruto” (143). Quantos cristãos sofrem com o abuso da falta de cuidado espiritual nas mãos de pastores que se recusam a prestar atenção aos conselhos de Bucer e, mais importante, do próprio Cristo (cf… Mateus 18.15-20)?
Falando sobre a disciplina eclesiástica amplamente definida, Bucer escreve que “se apenas este remédio das almas fosse prescrito e aplicado com a moderação e diligência que falamos acima, isso apenas poderia e iria resultar, por esta ser uma obra e ordem Cristo, em operar grande piedade e reforma, em vez de ser meramente prejudicial ou impossível” (151). Como Bucer observa, há necessidade de muita sabedoria, cuidado e moderação nesta questão, mas é certo que a disciplina é necessária. Evitar lidar com o pecado — ou seja, com o seu próprio ou de outro cristão — pode gerar menos trabalho, mas também demonstra menos amor.

Continua na Parte 2.
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Fonte: Voltemos ao Evangelho



sexta-feira, 2 de junho de 2017

O Grande Pecado que Inventamos!

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A essência do pecado é “Brincar de Deus” – viver não para Deus, mas para si mesmo, vendo Deus como parte do todo no qual estamos no centro e para qual mesmo Deus se inclina.  O mundo está mergulhado em auto-absorção.

Que imagem é essa senão a do diabo, já que seu pecado, orgulho auto-exaltado, foi o pecado dele muita antes de existirmos? Qual é o espírito do culto de nosso geração? Em torno do que ele está? O grande pecado pregado hoje, espelhando nosso mundo, não é a falha de em tudo honrar a Deus e lhe ser grato em todas as circunstâncias da vida, mas a falta de estima por si mesmo.

A geração que “cultua” a Deus em nossos dias ( cultua a si mesma) achando que a ideia de auto-humilhação (Lc 9.23, 1Pe 5.6) é um mal supremo, prefere então não se ofender  com a atitude oposta, o que podemos chamar de Deus-humilhação, ou seja, o rebaixamento de Deus em favor do ego e estima humana. É de novo e de novo cair da tentação do Éden de “ser como Deus” (Gn 3.5). Um culto que repudia a auto-humilhação e nossa indignidade, expressa a mente descrita por Paulo em Romanos 8.7: “o pendor da carne  é inimizade contra Deus” – é o retrato da mente do homem não regenerado. Esse pendor manifesta o profundo descontentamento do coração humano com o governo de Deus, ressentimento contra suas reivindicações e hostilidade para com a Sua Palavra. De tal forma isso se tornou comum que é só a Palavra ser proclamada que logo vozes se levantam: “mas isso é muito duro...” – Por causa disso o grito de libertação de nossos dias – ecoando o mundo, não é mais, “miserável homem que sou... quem me livrará...” – mas: “Que homem digno eu sou, quem me ajudará a ver melhor a minha dignidade?”

E onde entram as águas de Kheled-zâram nisso tudo? Na obra de Tolkien,O Senhor dos Anéis, já perto do fim da primeira parte – A Sociedade do Anel – depois que a companhia atravessa as perigosas minas de Moria,  com muito custo chegam do outro lado, tendo “perdido” Gandalf na atravessia, o grupo está arrasado. Há um grande lamento, Gandalf é o líder... como ficarão sem ele? Há grande sofrimento e incredulidade, ele era o mais poderoso entre eles.

No meio desse grande lamento por Gandalf e ainda temendo por suas vidas, Gimli ( o representante dos anões na sociedade ), insiste para que Frodo ( o portador do Anel ) e o inseparável amigo, Sam, se juntem a ele enquanto olha as águas de Kheled-zâram.

A principal maravilha do Lago-espelho é que ele reflete apenas as montanhas e as estrelas: “Das sombras dos próprios corpos inclinados não se via nada” – Ele tira, em seu reflexo, a pessoa do centro, ela não se vê, ela pode ver tudo sem ter ela no centro, sem ter ela como perspectiva central da cena. Ela então pode ver coisas que jamais poderia ver com ela no centro. Coisas fundamentais que parecem periféricas quando vistas ao redor apenas. Coisas maiores que nossas alegrias, triunfos ou tragédias aqui. Coisas que sobreviverão quando nenhum de nós estiver mais neste planeta. ( Ver coisas que durarão para sempre, como diz Paulo).

Não é essa nossa grande necessidade? As “águas de Kheled-zâram”, o lago espelho que nos tira totalmente da perspectiva central nas alegrias, triunfos e tragédias, e nos faz enxergar coisas eternas?

Sem a libertação da grande característica do pecado que os Reformadores chamaram de homo incurvatus in si, estamos presos em nossos egos, em auto-absorção, e todo culto, e todo nosso cristianismo não passa de farsa, pois ainda estamos brincando de deus.

Hoje, o primeiro grande mandamento de nossa geração, o primeiro mandamento que tem moldado nosso cultos é “amarás a ti mesmo” – explicamos todos os problemas com base na baixa auto-estima. Não gostamos de nada na Palavra de Deus que julguemos que provocará isso. Décadas de sermões, livros... inculcando isso na mente de uma geração fez um estrago enorme. Temos de fato o culto do Eu. O culto para o mundo, o culto relevante, o culto para o jovem, o culto para os casamentos, o culto...  O foco é o homem e não Deus, e sequer nos envergonhamos mais de tão grande distorção. Não há oposição quase nenhuma a tão grande afronta a Deus. Não cultuamos Deus, cultuamos nossa auto-estima.

A atitude corrente é a de autodeificação, dela só poderia brotar atos de autodeterminação contra Deus, Sua Palavra... tendo que o que é eterno e imutável, se “moldar” ao que é mortal, finito e mutável. Já não conseguimos olhar mais nada sem ver nossa face no centro da perspectiva. Era exatamente isso que as águas de “Kheled-zâram”, o lago espelho, fazia, tirava o homem da perspectiva.

Sem esse “milagre” de Kheled-zâram, o homem não pode sequer esbarrar nas doutrinas fundamentais sobre ele, pois, por não estarem indo na direção do culto a auto-estima, serão descartadas como absurdas, não porque a Bíblia não as ensina, mas porque ofende a sensibilidade do ego adorado. Por exemplo, todo homem além do trabalho regenerador de Deus é totalmente depravado, ou seja, ele não é capaz de nenhum ato ou pensamento sagrado, santo, aceitável... diante de Deus. Paulo diz que “tudo que não é por fé é pecado” (Romanos 14.23) – Portanto, tudo que um homem irregenerado faz é pecado, mesmo que ele dê todos os seus bens para alimentar o pobre ou o seu corpo para ser queimado (1 Coríntios 13.3) – O motivo verdadeiro para qualquer ato só pode ser definido devidamente com referência a honra de Deus, sua santidade,  sujeição a Ele, sua honra... qualquer coisa feita sem essa referência e que não confia tão somente em sua misericórdia e em nada de bom no homem, não são boas, portanto: "Não há ninguém que faça o bem nem um sequer" - Romanos 3:12. É óbvio que isso é uma pedra de tropeço intransponível para o coração irregenerado.

Vida cristã é uma vida que consiste em seguir a Jesus, e segui-lo está no estremo oposto ao culto da auto-estima: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me!” – Hoje vivemos numa geração que quer seguir a Cristo com muito do mundo e de si mesmo e muito pouco de Cristo em suas vidas, porque culto a auto-estima e cruz são antagônicos.

Ele diz que primeiro negue-se e só depois siga-me.

Primeiro – Renuncie a si mesmo.
Segundo – Tome a sua cruz.
Terceiro – Siga-me.

Essa é a ordem das coisas. Mas o Ego está no caminho juntamente com o mundo e suas milhares de atrações. O culto a auto-estima e o “para mim o viver é Cristo... e não mais vivo eu mais Cristo vive em mim”, são incompatíveis. O que Paulo está dizendo é que “para mim o viver é obedecer a Cristo, é servir a Cristo, é honrar a Cristo...” – é isso que significa. Tomar a cruz significa obediência, consagração, rendição... uma vida colocada à disposição de Deus para Sua glória – significa morrer para o Ego. “Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte” –Filipenses  1.20 – Fomos mandados para o mundo para viver com a cruz estampada em nós, não há outra forma para que de fato a vida de Cristo seja mostrada em nós: “Trazendo sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo” – 2Coríntios 4.10.

Tudo isso é fábula sem as “águas de Kheled-zâram”, ou seja, sermos levados a uma visão da vida em que não estamos mais no centro, podendo ver então tudo que é eterno, tudo que em nossos triunfos e tragédias aqui, glorifiquem a Deus: “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” 2 Coríntios 4:18 – Ele não põe ele mesmo no centro da perspectiva, mas o plano eterno de Deus – ao não estar centrado em si, tudo que era eterno tomava um lugar que não podia ser visto antes. Era o que as águas de  Kheled-zâram  faziam.

Nós não desanimamos porque os nossos olhos estão fixos no que é invisível e eterno.

Podíamos ver tantos exemplos na vida de Paulo, mas encerremos com um apenas. Paulo podia ver as correntes que o prendiam aos soldados romanos dia e noite. Mas seus olhos não estavam sobre elas e eles. Cada corrente foi forjada por Cristo e seria usada para Cristo. Se o ego estivesse no centro da perspectiva, isso seria impensável, mas Paulo pensava: “como posso usar essa cela de prisão e essas correntes para a glória de Cristo? Como honrar aqui, nesta situação o Senhor do Céu!”

Ele nunca fez das coisas deste mundo o alvo do seu olhar, ele podia ver longe, ele não se via no centro da perspectiva. Se ele fosse adepto do culto da auto-estima de nossa geração, teria ficado oprimido ali, paralisado por sua própria mortalidade, obcecado pelos triunfos aparentes dos inimigos, ou desestabilizado pelo pequeno apoio das igrejas. Mas ao não se ver no centro da perspectiva, ele pode fixar os olhos sobre o que era invisível.

Como dissemos antes, a principal maravilha do Lago-espelho, Kheled-zâram - era que refletia tudo, a obra das mãos de Deus, sem mostrar a face de quem estava olhando: “Das sombras dos próprios corpos inclinados não se via nada!” – Naquele momento de tragédia e dor, onde parecia que tudo iria perecer, não havia lugar melhor para Frodo e Sam olhar, e foi isso que Gimli os incentivou fazer.

***

Por: Josemar Bessa 

Fonte: Site do autor


terça-feira, 30 de maio de 2017

Então todos podem escolher, menos Deus?

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Deus pode tudo! O nome disso? Onipotência! Ele é Todo-Poderosos e ponto final. Ele pode fazer tudo! Ele pode curar todas as doenças, esvaziar todos os leitos hospitalares... Ele pode erradicar o crime e fazer cessar todo o abuso de todas as situações da vida... Ele pode acabar com as guerras, com toda a injustiça, Ele pode alimentar todos os estômagos vazios, aliviar toda dor e todos os problemas que causam agonia mortal e eliminar a morte física para sempre.

Está vendo? Ele pode fazer tudo. A libertação da dor e do trauma... é uma questão de soberania. O que quer dizer isto, soberania? Simples! Deus fará tudo o que quiser fazer controlado apenas pelo seu próprio caráter. Em outras palavras, se a liberdade de uma situação faz parte do Seu plano-mestre, o indivíduo será resgatado; caso negativo, Deus tem outro propósito para a vida da pessoa. O qual resultará em maior glória para Ele. Ponto final.

Se Ele quer salvar Daniel das mandíbulas escancaradas dos leões famintos; ou permitir que Tiago seja decapitado, ou Estevão apedrejado, ou que Pedro seja escolta por anjos para fora da prisão; ou permitir que milhares e milhares de cristãos sejam devorados por feras no Coliseu romano, ou que Seu único Filho, Jesus, sofra a morte mais cruel pela crucificação para satisfazer a Sua justiça na redenção dos eleitos, Ele o fará.

Muita gente fica irritada com uma tênue compreensão da Soberania de Deus. Lá no fundo isso é o clamor do desejo de ser deus... é o mesmo veneno da serpente. Todos, na mente do homem natural que é inimiga de Deus, tem direitos, menos Deus.

Existe uma lista enorme de grupos de interesses especiais, que tem motivos para fazer acusações em casos legítimos.

Direitos femininos.
Direitos criminais.
Direitos dos pacientes.
Direitos constitucionais.
Direitos dos trabalhadores.
Direitos civis.
Direitos dos animais.
Direitos humanos.
Direitos dos consumidor.
Direitos religiosos...

Cada um deles é legítimo até certo ponto, mas onde vamos parar? Damos as mães o direito de decidir se querem que seus filhos em seu ventre vivam ou morram? Damos um tapinha nas costas de um assassino porque seu advogado pleiteia com sucesso insanidade temporária? Perdoamos com leve punição um rapaz do ensino secundário por estuprar uma menina, por ele ainda ser “criança”? Ou por ter sido submetido a estímulos sexuais muito cedo na vida, ou ter sofrido abuso? Achamos certos matar milhões de seres humanos por nascer, enquanto aplicamos multas pesadas e punimos com prisão quem destrói ovos de tartaruga, ou seja, tartarugas por nascer? Adotamos a filosofia de que os prazeres pessoais são muito mais importantes que a fidelidade aos votos do casamento? Continuamos a permitir que mesmo criminosos confessos escapem da consequência dos seus atos devido a pequenos e burocráticos detalhes técnicos? Nesta terra só uma coisa não é considerada: e os direitos de Deus?

O Criador e sustentador de todas as coisas... nEle tudo “existe, se move e respira” – Ele tem sido odiado sem motivo. Caluniado sem razão, e esquecido e desprezado em seu mundo sem pedidos de desculpas. Seu caráter é mau interpretado e Ele é acusado quando os seres humanos sofrem como consequência de seus próprios pecados. O Seu nome tem sido amaldiçoado quando os seres humanos colhem ou colheram apenas o resultado de Sua rebelião e desprezo ao autor de toda a vida. Na melhor das hipóteses, Ele tem sido totalmente ignorado. Ele tem sido acusado em ocasiões de fome, guerra, doença... Sua sabedoria tem sido ridicularizada de geração em geração... nada tem sido tratado com mais deboche e desprezo do que a Sabedoria de Deus revelada a homens indignos.

Seus padrões de santidade sempre foram considerados fora de moda pela sociedade... sociedade mergulhada com prazer no pecado de todas as eras.
Ele é suficientemente grande para enfrentar todo esse abuso? Claro que sim! Ele não é inseguro. Ele pode cuidar de si mesmo; mas o ponto é, por sua graça inimaginável Ele se fez vulnerável e veio ao mundo e se expôs ao abuso inimaginável de seres humanos que falam todo tempo em seus direitos.

De fato, se quisermos ampliar a questão da justiça e exigir nossos direitos, deveríamos estar grandemente agradecidos por Ele não responder todos os nossos pedidos de justiça com Sua Justiça perfeita neste instante.

Vamos encarar os fatos – todos nós merecemos o inferno e a condenação. Deveríamos estar todos maravilhados com o que Deus poderia exigir de nós neste instante... sem delongas... sem mais um minuto sequer. Ele podia exigir uma resposta humana perfeita, sem dar uma segundo oportunidade. Ele tem o direito de dispensar o Juízo rápido que a humanidade merece.

Em lugar disso, Ele preparou um plano em que sua graça e misericórdia se manifestou gloriosamente. Mas não só isso, mas também sua justiça, e sua ira... Embora os Seus direitos tenham sido arrogantemente violados segundo a segundo por todo esse planeta, sua graça se manifestou. A chuva continua caindo ainda sobre os “justos” (justificados) e injustos (homem natural) – Suas misericórdias são vistas ainda a cada manhã. Um dos mistérios de Deus não é a sua Ira, mas a sua paciência com uma humanidade indiferente.
Deus nos fez, Ele também criou o mundo, portanto, Ele tem todo o direito de ser ouvido, obedecido, receber gratidão, honra e a glória devida ao Seu Nome Santo... mesmo em meio a dor e sofrimento. Ele tem o direito, e só ele tem, de ser amado e respeitado acima de qualquer relacionamento, bem material e busca na vida... mas em nossa sociedade ímpia, até jacarés tem mais direitos do que Ele... Deixem Deus fora de todas as coisas da sociedade... gritam as leis que aprovamos com alegria...

Nós, se somos igreja, devemos proteger cuidadosamente em nossa vida, e proclamar ao mundo, o DIREITO dEle ser adorado e adorado, amado e servido acima de TUDO  e de TODOS. Sem levar em conta as nossas circunstâncias. Mas o que temos visto é uma “igreja” falando sobre os direitos dos homens e se questionando sobre a Soberania de Deus... diminuindo Deus... sendo parte da rebelião.

Se os direitos de Deus fossem honrados e guardados, quase todos os direitos humanos que exigem atenção, não seriam mais necessários. A justiça não seria mais o tema que energiza tantas causas. Mas nenhum direito está seguro se Deus é desprezado... a luta do mundo é fútil e inútil. Mas se os direitos de Deus como Deus fossem abraçados...

Esse é o antídoto divino contra a maldade ingênita de nossos corações. Mas por natureza, o homem está cheio de senso de sua própria importância e direitos, grandeza, auto-suficiência... em resumo – ORGULHO E REBELDIA.

Entenda o dilema -  o homem tem que se gloria em si mesmo ou em Deus. O homem tem de viver ou para servir  a si mesmo ou a Deus. Tem de viver para agradar a si mesmo ou agradar a Deus... ninguém pode servir a dois senhores. A rebeldia humana é fruto da irreverência, e essa irreverência é fruto do desprezo quanto a Majestade, Soberania e autoridade de Deus.

Pense neste instante: O que você está aceitando e tomando como direito seu, mas que deveria estar agradecendo como algo totalmente imerecido? Como você reage quando Deus diz não? De que modo você honrou os direitos de Deus nesta semana que está terminando? Medite por um momento sobre os mistérios da paciência de Deus sobre você. Como você responderá a Ele quando Ele permitir que o próximo sofrimento entre em sua vida?

Alguém disse que a misericórdia de Deus retém o que merecemos de fato, e a sua graça nos dá o que não merecemos. Pense no que você merece – por direito – diante dos olhos de um Deus santo, e o que você NÃO merece.

***
Por: Josemar Bessa 

Fonte: Site do Autor




A vulnerabilidade dos meninos em tempos pós-modernos - Jader Borges

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Fonte: Canal do YouTube Ministério Fiel





quarta-feira, 17 de maio de 2017

A Bíblia como charada exegética Hipster.










Antes de mais nada e antes de chegar ao propósito deste artigo... Quero dizer que sou uma pessoa de minha época. Sempre digo que se Deus quisesse que eu fosse um homem do século XVI, como os Puritanos, Reformadores... em sua soberania perfeita, me faria nascer no século XVI. Então, eu usaria roupas do século XVI, tocaria músicas do Século XVI, usaria só instrumentos do século XVI... ( Digo isso apesar de amar música Clássica...) - Não há nada de espiritual nestas coisas do século XVI. Mas a mesma seriedade com a Bíblia que eles tinham, eu tenho. Por isso sou tão abençoado por eles.  E nisso prego o que eles pregavam, pois a Verdade não pertence a nenhum século ou época e costume destas, pois Ela é eterna. Mas Deus me quis no século XXI, e eu estou satisfeito com isso.

Tendo deixado claro isso, eu estava lendo com espanto a declaração de propósito de uma igreja famosa no mundo todo, e fiquei espantado que todo aquele famoso ministério se baseava num verso totalmente fora do seu contexto.

A verso foi o catalisador para toda uma ideia de abraçar a cultura, produzir, se misturar... de uma forma como se fosse o propósito vital da igreja.

Jeremias 29: 7 é usado como um verso do tema por muitas igrejas missionais:

“E procurai a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.” - Jeremias 29:7

 O site desta grande igreja numa das maiores cidades do mundo mostrava como eles fizeram de Jeremias 29.7 o grito de guerra para o engajamento deles ( e segundo eles, de todo cristão ( com a cultura da cidade.

Eles diziam – “Jeremias disse para os exilados na Babilônia para buscar a paz e prosperidade da cidade onde se encontravam. Nossa cidade é enorme e intimidante, como população diversa e que abraça uma grande variedade de valores e costumes diferentes. No entanto, Deus capacitou os cristãos a se relacionar e responder e em amor todas as pessoas, sem assimilar demais a cultura em torno de nós, mas sem nos separar em tribalismo. Como parte da cidade do homem e da cidade de Deus, trabalhamos nos princípios da paz e da graça na melhoria de todos...” – e por aí continuavam falando sobre o engajamento cultural na cidade...

No entanto, o verso imediatamente anterior a Jr 29,7, raramente é mencionado por essas igrejas que procuram justificar o ministério do engajamento cultural baseado neste texto:

“Casem-se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar-se com seus filhos e dêem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e NÃO DIMINUAM.” - Jeremias 29:6

O contexto da ordem de Deus para buscar a paz da cidade, não era o desejo de que seu povo entrasse em compromisso com a sociedade pluralista da Babilônia. O contexto, era o desejo de Deus que eles “criassem filho e filhas”, para que se “multiplicassem e não DIMINUÍSSEM”

Não era um chamado ou apelo para os judeus se tornarem hipsters na Babilônia, patronos engajados nas artes, fossem tatuados e produzissem cultura.... nos moldes babilônicos.  Mas para que seu povo tivessem filho e filhas, se multiplicasse na Babilônia e não diminuíssem por estarem num lugar estranho. Que fizessem suas casas lá durante aquele período, e confiassem nele durante o exílio.

Era um chamado, sobre tudo, para que o povo exilado, temeroso e assustado com a fertilidade e ter filhos naquele lugar... ou seja, no exílio, confiasse em Deus.

Com aplicar isso hoje da mesma forma? Certamente não é que você ouvirá em ministérios inteiros que se basearam totalmente em Jeremias 29.7.

Hoje, como naqueles dias, o medo nada lado a lado com a rejeição a fecundidade – o que eles sentiam no exílio. Deus não está dizendo para os judeus que não temessem o envolvimento no mesmo estilo de vida dos babilônios. Ele está dizendo para não temer ter filhos num lugar totalmente oposto ao que Ele é. Numa geração ímpia. Porque Devemos criá-los através da Palavra para viverem para a glória e propósito de Deus num ambiente assim, e o poder de Deus os manterá se o fizermos.

Mas igrejas “missionais” incentivam ter filhos e a fecundidade no contexto de Jeremias 29.7? Nunca vi esta ênfase. Ele é usado para justificar carreiras artísticas na noite, abrir galerias de arte, me tornar “hipster”... tatuado... Um Viva a cultura da Babilônia!! Este texto não visa discutir nenhuma dessas coisas em si mesmas na vida pessoal de cada um. Mas como isso virou uma visão “missionária” com “bases bíblicas”. Ou seja, o texto virou uma forma de incentivar instalações, desenvolvimento e envolvimento  na arte... do que fecundidade do povo de Deus. Isso com suposta “base bíblica”. É muito fácil fabricar “base bíblica” que norteiam um ministério inteiro usando textos dessa forma.

Isso  - usar a Bíblia assim, constitui-se numa farsa, uma charada exegética. O primeiro versículo você não ouvirá junto: “Multipliquem-se, tenham filhos, sejam fecundos...” – Mas o segundo versículo faz com que toda espécie de bizarrices virem estratégias” missionais” com “base bíblica”.

Eu me pareço mais com o cara da foto desse post do que o oposto esteriótipo "pastor" de hoje. Mas não por nenhuma bizarrice, farsa ou charada exegética que inventa “bases bíblicas” e estratégias "missionais" desonrando Deus e Sua Palavra que é totalmente suficiente para salvar o homem em Seu chamado Soberano.

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Por: Josemar Bessa 

Fonte: Site do autor

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