Cinco Votos para Obter Poder Espiritual.

Primeiro - Trate Seriamente com o Pecado. Segundo - Não Seja Dono de Coisa Alguma. Terceiro - Nunca se Defenda. Quarto - Nunca Passe Adiante Algo que Prejudique Alguém. Quinto - Nunca Aceite Qualquer Glória. A.W. Tozer

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Casamento obrigatório? Respondendo...

 

Determinado pastor fez um recorte de uma fala de O. Palmer Robertson: “Portanto, o casamento pode ser considerado como uma dimensão altamente significativa na ordenança divina da criação. Essa ordenança continua a ter importância obrigatória para o homem na redenção”.

A fala está no livro O Cristo dos Pactos” (p. 64) e encerra a questão do casamento na aliança da criação. Após fazer o resgate dessa frase, ele cita 1 Coríntios 7. 1,27: “E aos solteiros e viúvas digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo... Estás casado? Não procures separar-te. Estás livre de mulher? Não procures casamento.

Na citação de Robertson, ele coloca o título “Teologia Aliancista”. Já o texto de coríntios, intitula como “Teologia Bíblica”, dando a entender que existe uma contradição, forçando o julgamento de que o aliancismo não é bíblico. Todavia, o pastor além de ser tendencioso em seu recorte, também foi desonesto. O próprio Robertson não ignora o texto mencionado e dá uma explicação. Vejamos:

O argumento de Robertson, que é um eminente teólogo aliancista, repousa no fato de que na criação Deus institui o casamento como sendo uma ordenança para o homem criado. “...não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). Ao ser questionado sobre o divórcio, que é a anulação do casamento, Jesus evocou a criação para defender a indissolubilidade do matrimônio “Vocês não leram que, no princípio, o Criador os fez homem e mulher’” (Mt 19.4). Cristo então prossegue: “‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe (Mt 19.5,6).

Vejam que aquilo que Deus estabelece na criação é paradigma para a humanidade. O casamento é a base da sociedade e é responsável pelo povoamento da terra. “Deus os abençoou, e lhes disse: Sejam férteis e multipliquem-se!” (Gn 1.28). A multiplicação se dá através da geração de filhos mediante o ato sexual, e este só é abençoado no leito do matrimônio. A sexualidade foi algo criado por Deus para o deleite do casamento. Adão e Eva foram criados para formar uma família, dando origem a outras famílias. Por isso que em Levítico 20 há uma lista de pecados envolvendo relações íntimas. O adultério, o incesto, a sodomia, relações sexuais com parentes de primeiro grau e zoofilia são atos pecaminosos que desagradam a Deus. Sendo assim, o casamento é normativo e é obrigatório para a raça humana continuar aquilo que começou lá no Éden. Essa é a citação de Palmer em seu devido contexto:
“A propagação da raça por meio da instituição do casamento indica o meio primário pelo qual os propósitos de Deus na redenção encontram cumprimento. Deus realiza seus propósitos de redenção não por um método contrário às estruturas da criação, mas por método em conformidade com a criação.
Portanto, o casamento pode ser considerado como uma dimensão altamente significativa na ordenança divina da criação. Essa ordenança continua a ter importância obrigatória para o homem na redenção”. (O Cristo dos Pactos, p. 64)

A obrigação não é em relação aos indivíduos, pois alguns destes não se casarão - o que diz o texto de Paulo aos coríntios, e que Robertson já havia comentado anteriormente, na pág. 63:

“Embora a injunção de Deus para multiplicar e encher a terra aplique-se ainda aos homens de hoje, e o casamento ainda permaneça como a intenção criacionalmente ordenada ao homem, não se deve ver nenhuma contradição quando a expressão apostólica ‘é bom que o homem não toque mulher’ (1Co 7.1) é colocada ao lado da ordem da criação ‘não é bom que o homem esteja só’ (Gn 2.18). Com base no ‘dom’ necessário para permanecer no estado de solteiro (1Co 7.7), e devido aos sofrimentos do tempo presente (1Co 7.26), o homem ou a mulher pode deixar de casar-se”.

As dificuldades do casamento, isto é, dificuldades de se relacionar, resultam do pecado: “Mas aqueles que se casarem enfrentarão muitas dificuldades na vida, e eu gostaria de poupá-los disso” (1 Co 7.28b). Um pouco antes Paulo diz que sua recomendação para não casar não é mandamento, é um parecer que ele dá para evitar os que são virgens e jovens para que não sofram com as pressões da vida matrimonial (vide 1 Co7:25,26). Gosto de uma frase que diz: “Enquanto o pecado for amargo, o casamento não poderá ser doce” (Extraída de “Quando Pecadores Dizem Sim”). Isso quer dizer que é o fato dos cônjuges serem pecadores causam as aflições da vida de casado, todavia, a percepção de que somos pecadores também opera nos cristãos a dependência e o desejo de andar com Cristo, tendo fé de que ele nos santifica mediante a obra realizada pelo Espírito Santo em nós.


Dito tudo isso, chegamos então a duas conclusões:

1. O que o aliancismo prega sobre o casamento não é contrário a Bíblia, nem mesmo é contrário ao texto específico de 1 Coríntios 7. O casamento é obrigatório para a RAÇA HUMANA sim, além disso, ele é o meio ordinário para que Deus cumpra seu propósito redentor. Não se pode negar tal fato por conta de alguns poucos indivíduos que, por dom ou por outras razões, optam por não casar.

2. O tal pastor, além de infeliz em sua saga para enfraquecer o aliancismo, usou um meio desonesto para fazer isso. O recorte intencionalmente distorceu o que disse Palmer Robertson. Isso é dar falso testemunho, quebra do nono mandamento (Coisa grave!) Mas, não sei se por conta de seu dispensacionalismo, talvez ele ache que o decálogo não seja válido, podendo então ser assim descumprido. Será? Bem, a certeza que pode se ter é que o episódio é muito triste. 

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Uma conversa sobre igrejas saudáveis - Franklin Ferreira, Renato Vargens e Wilson Porte

 







Damares e o erro teológico da música "Alto preço"






Antes de qualquer coisa, vale a pena ressaltar que o texto que escrevi refutando a canção "Alto Preço" não possui cunho pessoal, nem tampouco visa desqualificar ou denegrir a cantora Damares. Na verdade, o post visa tratar de aspectos teológicos relacionados à música que do ponto de vista doutrinário, afrontam os ensinos das Escrituras.

Isto posto e esclarecido, vamos a canção:

A música em uma de suas estrofes diz: 
" Eu to pagando, eu to pagando
O preço pra morar no céu eu to pagando
Eu vou lutando, eu vou chorando
Cada detalhe o Senhor está somando
Eu to pagando, eu to pagando
O preço pra morar no céu eu to pagando
Eu vou lutando, eu vou chorando
A santidade tem um preço, eu to pagando" 

Como assim? Pagando para ir para o céu? Ora, afirmar isso é um grave erro teológico, mesmo porque ninguém pode comprar a salvação. Lamentavelmente na canção supracitada, Damares comete o desatino em afirmar que Deus soma os nossos méritos e nós “pagamos o preço para morar no céu”.  

Prezado amigo, vamos combinar uma coisa? Nossos méritos e justiça não passam de trapos de imundície. (Isaías 64:06)   Não existem nada que façamos que possa nos conceder a vida eterna.  Na verdade, somos merecedores do inferno, contudo, Deus por graça, bondade e misericórdia nos concedeu através de seu Filho, Jesus Cristo, salvação. Ademais, vale a pena ressaltar que as Escrituras ensinam que o homem é totalmente depravado, isto é, incapaz de redimir a si mesmo, e que necessita desesperadamente de salvação. Do ponto de vista bíblico afirmar que a salvação se dá por esforço e não por graça é acreditar que alguém pode ser salvo por obras, o que Bíblia diverge e condena. (Efésios 2:1-10)

Pense nisso!

Renato Vargens

Fonte: Blog Renato Vargens 


terça-feira, 21 de junho de 2016

Mais que um espectador

 


por Jordan Standridge

Eu amo ver futebol. Acredite ou não, isso é algo que me dá prazer. E antes que você goze de mim, lembre que bilhões de pessoas no mundo gostam também. Eu amo dizer ao técnico do meu time  sobre as decisões erradas que ele está tomando. Eu amo compartilhar minha opinião com o juiz sobre suas habilidades de tomar decisões ou sua necessidade de ir ao oftalmologista o mais rápido possível. É muito difícil para mim ficar calado quando estou vendo meu time jogar. O único problema com isso tudo é que ninguém pode me ouvir. Bem, talvez meus vizinhos possam. Mas aqueles realmente envolvidos no jogo não conseguem. O técnico, os jogadores e o juiz não têm a menor ideia que existe um cara, a milhares de quilômetros de distância, gritando com eles por meio da tela da televisão.
Essa mentalidade de espectador é o que vemos muitas igrejas. Muitas pessoas aparecem pensando que a Igreja está lá para servi-las. Na verdade, se formos honestos, admitiremos que  todos nós pensamos assim naturalmente. Todos nós nascemos achando que o mundo existe por nossa causa. Muitos jovens pastores, como eu, realmente encorajam isso. Eles organizam a igreja para que ela pareça um show de rock, com um mini sermão ali no meio, que dificilmente durará mais que 20 minutos. A Bíblia é deixada de lado e o culto parece ter sido feito para que os não crentes se sentissem bem-vindos e confortáveis.
O autor de Hebreus pensava diferente. Ele estava convencido que ser parte da Igreja significa ser mais que um espectador. Na verdade, ele incentiva que todos os crentes sejam participantes ativos. Em Hebreus 10.24-25, nós achamos uma famosa passagem, a qual nós, usualmente, corremos para ela quando achamos alguém que se diz cristão, porém não frequenta a igreja. Apesar de ela ser, certamente, uma passagem que diz “não falte a igreja”, ela é muito mais. Em apenas dois versos curtos, nós temos cinco mandamentos, os quais podem mudar radicalmente o nosso domingo.

A primeira coisa que devemos fazer é nos PREPARAMOS para o domingo

“Consideremos-nos…”
A palavra “considerar”, no verso 24, implica que nossa mente precisa estar engajada no domingo. Isso significa que nossas mentes precisam estar alertas. Isso significa que devemos estar em forma. Não acho que seja exagero dizer que nós não estaremos totalmente alertas no domingo de manhã, se não tivermos uma boa noite de sono. É por isso que dizem que o domingo de manhã começa no sábado à noite. Nós precisamos estar descansados. Não só para sermos bons ouvintes do sermão, mas porque estaremos mais alertas e dispostos a servir e a encorajar os outros. Isso implica que devemos estar preparados para a Igreja. Significa que nós não estamos lutando para que tudo esteja pronto na porta no domingo de manhã. Talvez deixar o almoço pronto, as roupas já escolhidas, as bíblias e computadores já no carro, no sábado à noite podem prevenir o drama de manhã. Outro aspecto chave é manter nossa mente pensando no Senhor e nos outros, em vez de pensar nas coisas mundanas. Fazer uma maratona na Netflix antes de ir para a igreja provavelmente não é uma boa escolha. Nós, provavelmente, iremos ficar pensando no que acontecerá com nossos personagens favoritos, em vez de pensarmos em como podemos servir nossos irmãos e irmãs.
Na palavra “considerar”, também está implicado o fato que não pensaremos no próximo naturalmente. Para isso, é preciso preparação. Precisamos nos lembrar de fazer isso. Devemos treinar nossas mentes a pensar sobre o próximo quando vamos à igreja. Isso significa em sobre como Deus pode nos usar. Enquanto estamos dirigindo para o culto, nós devemos pensar e nos relembrarmos de que estamos prestes a fazer algo muito importante. Talvez a coisa mais importante que devemos fazer. Devemos celebrar a ressurreição de Cristo, nos submeter à pregação da Palavra de Deus e participar do crescimento da igreja local. Você pensa em como você pode abençoar seus irmãos e irmãs, enquanto você se dirige à igreja?

Somos instruídos a constantemente PRATICAR o pensar sobre o próximo

“ consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras…”
O autor de Hebreus diz que devemos considerar como devemos estimular uns aos outros. A palavra “como” está carregada. Isso não é simplesmente aparecer na igreja e despejar o que aprendemos durante a semana em nosso tempo com o Senhor. É exatamente essa a consideração que nossos amigos precisam. Isso varia de pessoa para pessoa. Nós realmente devemos conhecer as pessoas ao nosso redor e saber como podemos encorajá-los. Quando o meu time de basquete no ensino médio se preparava para um jogo, nós assistíamos a um jogo gravado e tentávamos encontrar o ponto fraco dos outros times. Se eles eram muito rápidos, nós iríamos passar a bola para nossos jogadores altos. Se eles fossem altos, porém devagar, nós iríamos nos por em guarda e ditar o ritmo do jogo. Se eles fossem altos e rápidos, bem, aí seríamos esmagados. Mas você entendeu o ponto. Nós não tratávamos nossos oponentes da mesma forma. Muitas vezes, como cristãos, nós estamos tão focados em nós mesmos que não temos a menor ideia de como incentivar as pessoas em nossa volta à piedade. Tessalonicenses 5.14 capta essa ideia perfeitamente. Além de nos dizer que devemos ser pacientes sempre, ele também nos ensina a tratarmos as pessoas de maneira diferente, baseados em suas necessidades. Nós devemos estar ativamente estudando e cuidado das pessoas ao nosso redor, para que possamos cuidar apropriadamente de suas almas.

Devemos buscar uns aos outros

“ consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras…”
A palavra “estimular” é normalmente usada no negativo. É algo provocativo. É desafiar alguém a ir a algum lugar onde ele, naturalmente, não quer ir. Na carne, naturalmente nós não fazemos boas obras. Somos todos propensos a vaguear. Nós precisamos procurar uns aos outros e nos incentivarmos a sermos piedosos. Por conta própria, você pode aprender mais sobre Deus, você pode crescer em seu amor por Deus, mas, ao mesmo tempo, você precisa perceber que você não consegue ver tudo sozinho. Todos nós tempos pontos cego. É por isso que ser monge não funciona. Para crescermos na vida cristã, você não deve só gastar tempo com o Senhor, mas, também, estar envolto por crentes. Você precisa deles. E adivinha? Eles precisam de você! Eles precisam que você esteja em forma. Se estamos abrigando pecados em nossas vidas, mesmo em nossas vidas privadas, então, definitivamente, não estamos crescendo em nossa caminhada. E se não estamos crescendo em nossa caminhada, nós não seremos capazes de estimular  o nosso próximo a terem boas obras. Além disso, abrigar pecados faz com que sejamos egoístas e diminuamos as chances de nos apresentarmos prontos para nos reunirmos e servimos uns aos outros.

Somos ordenados a priorizar o encontro

“Não deixemos de congregar-nos, como é de costume de alguns…”
Claro, nada disso importa, a não ser que saiamos de nossas camas para irmos à igreja. E parece que a igreja primitiva também lutava com isso. Mas, diferentemente de nós, o impedimento deles não era por besteira, mas por perseguição. Hebreus 10.33-34 nos diz que as pessoas a quem o autor estava escrevendo estavam sofrendo sérias perseguições. Alguns perderam suas casas, outros, a vida. Então a tentação de ficar em casa era algo muito forte. Ainda assim, com esse cenário, o autor de Hebreus os alerta para que não deixem de se congregar. A despeito do fato de estarem sofrendo sérias perseguições, eles eram menos propensos a faltarem a igreja do que a maioria dos americanos! Isso é incompreensível. Devemos lutar por nosso tempo com nossos irmãos e irmãs. É uma loucura faltar a igreja. Você tem um pastor que passou várias horas estudando a passagem da Escritura com o propósito de fazer você mais piedoso! E, espero, você possui vários irmãos indo à igreja considerando as formas pelas quais eles podem estimulá-lo e encorajá-lo a amar e obedecer mais a Cristo! Onde você prefere estar?

Somos chamados a ajudarmos uns aos outros

“antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”
É muito interessante como o autor conclui com um chamado a encorajarmos uns aos outros. A palavra “incentivar” não deixa de lado a verdade. Mas ao falar a verdade, faça com mansidão, lembrando-vos uns aos outros sobre as promessas de Deus. É fascinante notar que isso deve crescer com o passar dos dias. É interessante que em Hebreus 10.25 ele conecta isso com a segunda vida. A cada dia que estamos mais perto do dia do retorno do Senhor, devemos crescer no nosso encorajamento mútuo.  O mundo está ficando cada vez mais hostil ao evangelho. A igreja deve ser um oásis para o crente. E nós devemos passar nosso tempo estimulando e exortando uns aos outros a buscarmos Cristo. É interessante como, além de sermos menos propensos a irmos à igreja que os cristãos primitivos, apesar de sofremos menos perseguições, somos menos propensos a pensarmos na volta do Senhor, apesar de estarmos 2 mil anos mais perto disso acontecer. Toda manhã que acordamos, não estamos apenas mais um dia perto de nossa morte, mas, também, estamos um dia mais perto da volta de Cristo.
O autor de Hebreus acredita que pensamos mais no próximo quando vamos à igreja. Ele acredita que se formos fiéis em nossa preparação, prática, busca, priorização e ajuda mútua, seremos fiéis a Cristo e participantes ativos no que Cristo tem feito por meio das igrejas locais de todos os lugares.
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Fonte: Reforma 21 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

"A autoridade está na qualidade das relações" - Paulo Borges Junior

 



Fonte: Canal do YouTube - Reunião da Casinha 





quarta-feira, 15 de junho de 2016

Richard Sibbes e a hospitalidade do Espírito Santo

 




Fonte: Canal do YouTube - Defesa do Evangelho


A GRAÇA COMUM

 
Em conexão com as operações gerais do Espírito Santo, o tema da graça comum pede atenção. Deve-se entender , porém que, diversamente da teologia arminiana, a teologia reformada calvinista não considera a doutrina da graça comum como parte da soteriologia:
a. Origem da Doutrina da Graça Comum
a.1 O Problema de Que Trata
O surgimento da doutrina da graça comum foi ocasionada pelo fato de que há no mundo, ao lado do curso da vida cristã com todas as sua bênçãos, um curso natural da vida que, não implicando redenção, exige, não obstante, muito sinais do verdadeiro, do bem e do belo. Foi levantada a questão múltipla: como podemos explicar a vida relativamente ordenada que há no mundo, se sabemos que o mundo inteiro jaz sob a maldição do pecado? Como é que a terra dá fruto preciosos e abundante, em vê de só produzir espinhos e abrolhos? Como podemos explicar o fato de que o homem pecador ainda “conserva algum conhecimento de Deus, das coisas naturais e da diferença entre o bem e o mal, e demonstra alguma consideração pela virtude e pelo bom comportamento exterior”? Que explicação se pode dar acerca dos dons e talentos especiais que o homem natural é dotado, e do desenvolvimento da ciência e da arte por gente totalmente vazia da nova vida que há em Cristo Jesus? Como podemos explicar s aspirações religiosas dos homens de toda parte, até de pessoas que não tiveram contato com a religião cristã? Como é que os não regenerados ainda podem falar a verdade, fazer o bem aos outros e levar vidas exteriormente virtuosa? Estas são algumas das indagações que a doutrina da graça comum procura responder.
a.2 A Posição Agostiniana
Agostinho não ensinou a doutrina da graça comum, embora não usasse a palavra “graça” exclusivamente como um designativo da graça salvadora. Ele falava da graça que Adão desfrutava antes da queda, e até admitia que a existência do homem como ser vivo, racional e consciente, podia ser denominada graça. Mas, contrariamente a PELÁGIO, que dava ênfase à capacidade natural do homem e não reconhecia outra graça que aquela que consistia dos dotes naturais do homem, da lei e do Evangelho, do exemplo de Cristo, e da iluminação do entendimento por uma graciosa influência de Deus – AGOSTINHO salientava a incapacidade total do homem e a sua absoluta dependência da graça de Deus, sendo esta uma força renovadora interna que, não somente ilumina a mente, mas também age na vontade do homem, quer como graça operante, quer como cooperante, e considera esta graça como condição necessária para a realização de cada boa ação. Ele admitia que os pagãos podem praticar certos atos que são bons em si mesmos e que, numa perceptiva inferior, são até louváveis, mas julgava que estes atos, como atos de pessoas não regeneradas, são pecados, porque não brotam da motivação do amor de Deus ou da fé, e não correspondem ao propósito certo – a glória de Deus. Ele negava que tais ações são fruto de qualquer bondade natural do homem.
a.3 O Conceito que se Desenvolveu Durante a Idade Média
Na Idade Média, a teologia católica romana baseou sua discussão sobre este tema, usando para isto a antítese natural x sobrenatural. Neste esquema, no estado de integridade, o homem estava revestido do dom sobrenatural da justiça original, que servia de freio para manter sob controle a natureza inferior. Como resultado da queda, o homem perdeu este dom sobrenatural , mas a sua verdadeira natureza permanece ou foi apenas ligeiramente afetada. Desenvolveu-se uma inclinação pecaminosas, mas isto não impedia o homem produzir muita coisa verdadeira, boa e bela. Contudo, sem a infusão da graça de Deus, isso tudo não era suficiente ára dar a ninguém algum direito à vida eterna.
Em conexão com a antítese do natural e o sobrenatural, a Igreja Católica Romana desenvolveu a distinção entre as virtudes morais da humildade, da obediência, da mansidão, da generosidade, da temperança, da castidade e da inteligência no que é bom, virtudes que os homens podem conseguir por seus próprios esforços e com a oportuna ajuda da graça divina; e as virtudes teologais da fé, da esperança e do amor, infundidas no homem pela graça santificante.
a.4 Posição dos Reformadores e da teologia Reformada Calvinista
Lutero não se livrou inteiramente do fermento católico romano. Apesar de ter retomado à antítese agostiniana de pecado e graça, traçou aguda distinção entre a esfera terrenal inferior e a esfera espiritual superior, e sustentava que o homem decaído é por natureza capaz de fazer muita coisa boa e louvável na esfera inferior ou terrena, embora seja inteiramente incapaz de fazer qualquer bem espiritual.
Zwinglio entendia o pecado como corrupção, e não como culpa, e conseqüentemente, considerava a graça de Deus como santificante, e não como graça perdoadora. Esta influência santificante, que em certa medida penetrava até mesmo no mundo gentílico, explica o que há de verdadeiro, bom e belo neste mundo.
Calvino não concordava com a posição de Lutero, nem com a de Zwinglio. Ele sustentava firmemente que o homem natural não pode, por si mesmo , fazer nenhuma boa obra, e insistia vigorosamente na natureza particular da graça salvadora. Ao lado da graça particular, ele desenvolveu a doutrina da graça comum. Esta graça é comunal, não perdoa nem purifica a natureza do humana, e não efetua a salvação dos pecadores. Ele reprime o poder destrutivo do pecado, mantém em certa medida a ordem moral do universo, possibilitando assim uma vida ordenada, distribui em vários graus dons e talentos entre os homens, promove o desenvolvimento da ciência e da arte, e derrama incontáveis bênçãos sobre os filhos dos homens.
b. Nome e Conceito da Graça Comum
b.1 Conceito
O nome graça comum entrou em uso geral para expressar a idéia de que esta graça se estende a todos os homens, em contraste com a graça particular, que limita a uma parte da humanidade, a saber, os eleitos.
Deus não possui dois atributos de graça, antes sim, este manifesta-se em diferentes dons e operações:
i. Sua mais rica manifestação se vê naquelas grandiosas operações que visam à remoção da culpa, da corrupção e da punição do pecado,e a salvação última dos pecadores, e redunda nessas bênçãos.
ii. Ela aparece também nas bênçãos naturais que Deus derrama sobre o homem na presente vida, apesar do fato de que o homem perdeu o direito a elas e se acha sob sentença de morte.
Em geral se pode dizer que, quando falamos de “GRAÇA COMUM”, temos em mente dois aspectos:
i. As operações gerais do espírito santos pelas quais Ele,, sem renovar o coração, exerce tal influência sobre o homem por meio da sua revelação geral ou especial, que o pecado sofre restrição, a ordem é mantida na vida social, e a justiça civil é promovida
ii. As bênçãos gerais, como a chuva e o sol, água e alimento, roupa e abrigo, que Deus dá a todos indiscriminadamente, onde e quanto lhe parece bom fazê-lo.
Tendo em mente estes dois pontos, devemos então notar os seguintes pontos de distinção entre a graça especial e a graça salvadora:
i. A extensão da graça especial é determinada pelo decreto da eleição. Esta graça limita-se aos eleitos, ao passo que a graça comum não sofre esta limitação, mas é outorgada indiscriminadamente a todos os homens.
ii. A graça especial remove a culpa e a penalidade do pecado, muda a vida interior do homem e gradativamente o purifica da corrupção do pecado pela operação sobrenatural do Espírito Santo. Sua atividade invariavelmente redunda na salvação do pecador. Por outro lado, a graça comum jamais remove a culpa pelo pecado, não renova a natureza humana, mas apenas tem efeito restringente sobre a influência corruptora do pecado e, em certa medida, suaviza os seus resultados. Não efetua a salvação do pecador, embora nalgumas das suas formas (vocação externa e iluminação moral) esteja estritamente relacionada coma economia da redenção e tenha uma aparência soteriológica.
iii. A graça especial é irresistível. Não significa que seja uma força determinista a compelir o homem a crer contra a sua vontade, mas significa que, pela mudança do coração do homem, torna-o perfeitamente desejoso de aceitar a Jesus Cristo para a salvação e de prestar obediência à vontade de Deus. A graça comum é resistível, e de fato sempre sofre maior ou menor resistência (Rm 1 e 2).
iv. A graça especial age de maneira espiritual e recriadora, renovando completamente a natureza do homem e, assim, tornando o homem capaz e desejosos de aceitar a oferta da salvação em Cristo e a de produzir frutos espirituais. A graça comum, ao contrário, opera somente de modo racional e moral, tornando o homem, de maneira geral, receptivo ante a verdade, apresentando motivos à vontade e apelando para os desejos naturais do homem, mediante uma persuasão moral.
c. Meios Pelos Quais Opera a Graça Comum
c.1 A Luz da revelação de Deus
temos em mente aqui primeiramente a luz da revelação de Deus que brilha na natureza e ilumina todo homem que surge no mundo. Ela mesma é fruto da graça comum, mas por sua vez, vem a ser um meio para maior manifestação dela, visto que serve para guiar as consciência do homem natural (Rm 2:14,15)
c.2 Governos
Segundo Rm 13, os governos são ordenados por Deus para a manutenção da boa ordem na sociedade. Resistir a eles é resistir à ordenação de Deus
c.3 Opinião Pública
A luz que brilha nos corações dos homens, especialmente quando reforçada pela influência da revelação especial de Deus, resulta na formação de uma opinião pública em extrema conformidade com a lei de Deus, e isso tem tremenda influência sobre a conduta dos que são sensíveis ao julgamento da opinião pública.
c.4 Punições e Recompensas Divinas
As disposições providenciais de Deus, pelas quais ele visita a iniquidade dos homens neles mesmo, nesta vida, e recompensa as ações que se harmonizam exteriormente com a lei divina, atendem a um importante propósito, refreando o mal existente no mundo. As punições têm efeito dissuasório, e as recompensas servem de incentivos. Muitos se esquivam do mal e buscam o bem, não porque temam a Deus, mas porque percebem que o bem traz sua própria recompensa e atende melhor aos seus interesses.
d. Frutos da Graça Comum
d.1 É Sustada a Execução da Sentença
Deus pronunciou a sentença de morte sobre o pecador. Falando da árvore do conhecimento do bem e do mal, disse Ele: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. O homem comeu, e a sentença foi posta em execução até certo ponto, mas, evidentemente, não foi logo executada totalmente. É devido à graça comum que Deus não executou plenamente a sentença de morte no pecador, e não faz agora, mas também e prolonga a vida natural do homem e lhe dá tempo para arrepender-se, tirando com isso qualquer motivo para desculpas e justificando a vindoura manifestação da sua ira sobre os que persistem no pecado até o fim. Que Deus age com base neste princípios evidencia-se amplamente em passagens como Is 48:9; Jr 7:23-25; Lc 13:6-9; Rm 2:4; Rm 9:22; II Pe 3:9.
d.2 A Restrição do Pecado
Pela operação da graça comum o pecado sofre restrição nas vidas dos indivíduos e na sociedade. Ao elemento de corrupção que entrou na vida da raça humana não é permitido, por ora, realizar a sua obra desintegradora. Diz Calvino: “mas devemos considerar que, não obstante a corrupção da nossa natureza, há algum espaço para a graça divina, graça que, sem purificá-la, pode colocá-la sobre repressão interior. Pois, se o Senhor deixasse todas as mentes soltas para desenfrear-se em suas luxúrias, sem dúvida não há nenhum homem que não mostrasse que a sua natureza é capaz de praticar todos os crimes de que Paulo acusa (Rm 3 // Sl 14:3-6)”. Esta repressão pode ser interna ou externa ou ambas, mas não muda o coração. Há passagens que falam da luta do espírito de Deus com os homens, luta que não produz arrependimento (Gn 6:3; Is 63:10; At 7:51; de operações do espírito Santo que acabam sendo retiradas (I Sm 16:14; Hb 6;4-6; e do fato de que, nalguns casos, Deus finalmente deixa os homens entregues às luxúrias dos seus próprios corações (Sl 81:12; Rm 1:24-28). Em acréscimo às passagens anteriores, há algumas que mostram claramente que Deus reprime o pecado de várias maneiras (Gn 20:6; Gn 31:7; Jô 1:12; II Re 19:27,28; Rm 13;1-4).
d.3 Preservação de Alguma Percepção da Verdade
Deve-se à graça comum que o homem ainda conserva alguma noção do verdadeiro, do bom e do belo, e muitas vezes estas coisas num grau até surpreendente, e revela desejo da verdade, da moralidade externa e mesmo de certa forma de religião. Paulo fala dos gentios que “mostram a norma da lei grava nos seus corações, testemunhando-lhes também a consciência, e os pensamentos mutuamente acusando-se ou defendendo-se”. Ao atenienses, que não tinham temor de Deus, disse: “em tudo vos vejo acentuadamente religiosos” (At 17:22).
d.4 A Prática do Bem Externo e da Justiça Civil
A graça comum capacita o homem para praticar o que geralmente se denomina justiça civil, isto é, aquilo que é certo nas atividades civis ou naturais. Os teólogos reformados calvinistas geralmente afirmam que os não regenerados podem realizar o bem natural, o bem civil, e o bem religioso exterior. Contudo, eles chamam a atenção para o fato de que, conquanto essas obras dos não regenerados sejam boas do ponto de vista material, como obras ordenadas por Deus, não podem ser consideradas boas do ponto de vista formal, uma vez que não provêm do motivo certo e não visam ao propósito certo.
d.5 Muitas Bênçãos Naturais
À graça comum o homem deve, ademais, todas as bênçãos naturais que ele recebe na presente vida. Embora tendo perdido o direito a toda e qualquer bênção de Deus, ele recebe abundantes provas da bondade de Deus, dia após dia (Sl 145:9,15,16; Mt 5:44,45; Lc 6:35,36; At 14;16,17; I Tm 4:10). E estas dádivas são destinadas a serem bençãos, não somente para os bonés, mas também para os maus. À luz das escrituras, é sustentável a posição segundo a qual Deus nunca abençoa os réprobos, quando lhes concede muitas dádivas que são boas em si mesmas (Gn 39:5; Mt 5:44,45; Rm 2:4).

Por: Israel Serique


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Porque a Sara nossa Terra é uma seita

 

Há alguns dias um depoimento de uma ex-integrante dessa suposta igreja,
Sara nossa Terra, e o relato foi postado em nossa página no Facebook.
Houve dezenas de comentários de pessoas que não 

concordaram com o que foi dito ali, nem com nossa postura de por meio 
dos acontecimentos refutar, como já fizemos em outras vezes seja na 
página ou em nosso blog. Mas este texto dessa vez será mais profundo, 
pois estarei expondo aqui as heresias e o porque vejo a SNT 
(Sara nossa Terra) como uma seita e não como uma igreja que 
preserva a são doutrina.


Abaixo um rápido quadro comparativo onde conceitos básicos 
encontrados em um igreja sadia e na SNT:




Todas as informações acima, são encontradas nestes dois perfis.

Agora para sabermos se algum ensino é uma seita ou uma heresia 
temos que submete-lo as Escrituras. Eu poderia ficar aqui por horas
 falando por cada ponto herético apresentado da SNT, mas 

vamos nos atentar aos citados acima

1)  Confissão Positiva / Teologia da Prosperidade

Um dos maiores câncer do meio Cristão hoje é essa corrente que 
defende esse "revelação", ela é totalmente antibíblica e remete 
a um "outro evangelho" onde a centralidade não é Cristo.

"A teologia da prosperidade, à semelhança da teologia da libertação 
e do movimento de batalha espiritual, identifica um ponto biblicamente 
correto, abstrai-o do contexto maior das Escrituras e o utiliza como
 lente para reler toda a revelação, excluindo todas  aquelas passagens 
que não se encaixam". Augustus Nicodemus.

2) Julgo sobre os irmãos - Metas nas células 

Para arrecadar mais e mais e aproveitando este formato do G12 a SNT, 
impõe aos líderes e seus liderados metas a serem batidas. Mandam 
os jovens para semáforos para vender doces e bombons, falam para 
os irmãos desempregados "capinar um terreno", pedem para 
as irmãs prepararem cupcakes, mas o dinheiro arrecadado vai para 
o topo do pirâmide e não para ajudar aos pobre e os necessitados.

3) O Julgo do líder

Se você está lendo este texto é ainda faz parte da SNT e está
 pensando em namorar, tenho mais notícias para você, se o 
seu líder não aprovar a ideia ou não for 'generoso' em estipular um 
prazo para o namoro menor, seu sonho de ter um relacionamento
 pode atrasar. Isso sem contar as manifestações idólatras que já 
recebi em meu canal do youtube e em postagens do Facebook, 
onde pessoas ligadas a SNT até usaram de ameaças e xingamentos, 
tudo em prol de defender um líder que a cada dia aumenta mais seu 
patrimônio.

4) Quebra de maldições

Como em algumas igrejas neo-pentecostais, a quebra de maldição
 é algo clássico, mas o que chama a atenção é a quebra 
de maldição hereditária. Inclusive o Bispo Rodovalho lançou um 
livro com tentando injetar ainda mais essa heresia dentro da 
mente já cauterizada de seus comandados, o nome do livro é 
"Quebrando as Maldições Hereditárias". 

5) G12/MDA/M12

Com uma ideia a principio interessante de "evangelizar', de falar 
do amor de "Jesus", ele (G12, MDA, M12) vem chegando, 
quando menos percebe já se tornou uma empresa, com regras, metas, 
chefes (líderes), e a prestação de contas já habitual.

6) O Criador da seita, Bispo Rodovalho, diz que há dinheiro no céu

Segundo Rodovalho, o dinheiro é “um bem que já tramitava no meio 
dos anjos, [pois] Lúcifer tinha, antes da queda, algum tipo de comércio”.

7) Ao recém convertido, depois de "aceitar a Jesus", ele vai para 
um dito "encontro com Deus", e nesse encontro ele passa por 
experiências que vão desde aberrações como imitar um animal,
regressão, e em casos mais extremos até "perdoar" Deus, tudo 
"segundo o espírito santo"

8) Seu criador já foi Deputado e teve nome envolvido em escândalos
 de corrupção.

O envolvimento da denominação com a política tem aumentado a 
cada dia, ao ponto de algumas igrejas serem obrigadas e eleger 
candidatos.

Após essas pequenas análises desses pequenos pontos, ainda 
acredita que a Sara nossa Terra não é uma seita?

*****

Fonte: Blog Voz que Clama do Deserto 


Uma Noite de Escatologia- Augustus Nicodemus e Convidados


 












Fonte: Canal do YouTube  Escola Charles Spurgeon


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Uma Amizade Verdadeira






















por
Rev. Welerson Alves Duarte


 Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como a sua própria alma. (I Samuel 18.1)

INTRODUÇÃO

No dia 20 de julho foi comemorado o dia da amizade, dia em que muitas mensagens foram trocadas entre amigos. Recebi algumas mensagens muito interessantes o que me levou a refletir sobre a amizade verdadeira. Lembrei-me então de dois personagens bíblicos em especial, Davi e Jônatas. A amizade entre Jônatas e Davi era uma aliança de amor, um exemplo de amizade que tem muito a nos ensinar sobre o real significado e importância da amizade verdadeira.

Na literatura das ciências sociais que tratam sobre o tema, a amizade é vista em geral como uma relação afetiva e voluntária, que envolve práticas de sociabilidade e ajuda mútua e necessita de algum grau de equivalência ou igualdade entre amigos.

A Amizade é um bem que infelizmente tem se tornado cada vez mais difícil de ser encontrado. Muitos se chamam amigos, mas a palavra já perdeu muito de seu real significado. 

A palavra amigo é cheia de significado como se pode ver pelo texto de I Sm. 18.1: ”Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma.” Esta passagem nos mostra que uma amizade verdadeira é estabelecida por um vínculo muito forte, o vínculo do amor fraternal.       

I – Uma Amizade Verdadeira Pode Trazer Riscos

A amizade que nasceu no coração de Jônatas e Davi era algo tão profundo que levou Jônatas a arriscar-se em favor de seu amigo. Em I Sm 20.33 Saul tenta matá-lo por estar defendendo Davi: “Então, Saul atirou-lhe com a lança para o ferir; com isso entendeu Jônatas que, de fato, seu pai já determinara matar a Davi.” Jônatas, que parecia ter dificuldades em acreditar que seu pai ainda queria matar a Davi (I Sm 20.2: “Ele lhe respondeu: Tal não suceda; não serás morto. Meu pai não faz coisa nenhuma, nem grande nem pequena, sem primeiro me dizer; por que, pois, meu pai me ocultaria isso? Não há nada disso.”), agora tinha motivos de sobra pra crer que Saul estaria pronto a tudo para eliminar Davi, até mesmo matar seu próprio filho. A princípio Jônatas tinha porque duvidar que seu pai ainda quisesse matar Davi, pois ele havia lhe jurado que não o faria (I Sm. 19.6: “ Saul atendeu à voz de Jônatas e jurou: Tão certo como vive o Senhor, ele não morrerá.”). Porém as atitudes de Saul  durante a Festa de Lua Nova não deixavam mais dúvidas de que aquele juramento não seria cumprido.

Jônatas agora sabia que se sua amizade com Davi fosse mantida ele corria risco de vida. Contudo isso não foi razão forte o suficiente para abalar aquela aliança de amor firmada entre Jônatas e Davi. Jônatas não estava disposto a abrir mão desta amizade por coisa alguma.

Davi também correu riscos em virtude de sua amizade com Jônatas. Após a morte de Jônatas Davi procurou saber se ainda havia algum descendente de Saul vivo: Disse Davi: Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas?” II Sm. 9.1. Ao ser informado de que havia um filho de Jônatas vivo Davi o levou para morar no palácio e comer da sua mesa:”Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu, e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para a casa de teu senhor tenha pão que coma; porém Mefibosete, filho de teu senhor, comerá pão sempre à minha mesa. Tinha Ziba quinze filhos e vinte servos”.  II Sm. 9.10. O mais comum em uma situação como aquela seria procurar eliminar todos os descendentes de Saul já que estes poderiam procurar promover um levante ou o assassinato de Davi para recuperar o trono, no entanto, Davi ao invés de temer perder o trono e quem sabe a sua própria vida corre o risco por amor a Jônatas. Ë preciso lembrar que Jônatas era amigo de Davi e o amava, mas Mefibosete não necessariamente. 

No Novo Testamento nós também temos o exemplo de Epafrodito que foi outro a não se importar em correr riscos por uma verdadeira amizade. Paulo era acusado de traição ao Império Romano, e esta era uma acusação grave. Paulo poderia ser condenado a morte e, quando um prisioneiro era condenado a morte, quem estava com ele deveria morrer também. Mesmo sabendo disso, Epafrodito abandona sua cidade, sua casa, todos os seus e vai para Roma cuidar de Paulo. Isso é amizade verdadeira, isso é comprometimento. Que coisa maravilhosa é ter amigos assim. Felizes são aqueles que podem ser e contar com amigos deste porte.

II – Uma Amizade Verdadeira Põe seus Interesses Pessoais em Segundo Plano. 

Parece que Jônatas era o príncipe herdeiro pois Saul lhe diz que enquanto Davi vivesse nem Jônatas e nem seu reino estariam seguros (I Sm 20.31: “Pois, enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino; pelo que manda busca-lo, agora, porque deve morrer.”). Davi era portanto uma ameaça a Jônatas e conseqüentemente a toda a sua posteridade já que se Davi assumisse o trono Jônatas não seria o próximo rei, seu filho não seria o príncipe herdeiro e assim por diante. 

No entanto, ao invés de odiar Davi e tentar elimina-lo, ele o ama e protege. Eliminar Davi não seria difícil já que ele dispunha de informações privilegiadas a respeito de Davi e este confiava nele. Davi fugiria de Saul, mas não de Jônatas. Pior do que um inimigo é um falso amigo. Dizem que um sábio antigo orava pedindo a Deus que cuidasse de seus amigos pois dos inimigos ele era capaz de cuidar. Se Jônatas fosse um falso amigo, se Jônatas se deixasse levar por interesses pessoais Davi estaria correndo serio risco.  E é preciso lembrar que o interesse pessoal de que estamos falando não era uma coisa qualquer, era o trono de Israel. 

Muito triste é quando se confia em alguém, o tem como amigo sincero, como irmão e se vê traído pelo mesmo ter se deixado levar por interesses, por benefícios muito menores que aquele do qual Jônatas estava abrindo mão. Infelizmente isto não é algo incomum. Jônatas sabia que pessoas valem mais que coisas, mais que posição. Para Jônatas o trono não era mais importante que a amizade de Davi.

III – Uma Amizade Verdadeira Está Firmada num Firme e Sincero Amor 

Esta característica da verdadeira amizade é o vínculo da mesma. Foi o amor que moveu Jônatas a por sua vida em risco e com certeza foi um amor sincero e firme que moveu Epafrodito a viajar cerca de 2.000 Km da Macedônia a Roma para cuidar de Paulo, podendo com isso perder muito, inclusive sua própria vida, seja através de um acidente durante a viagem, uma enfermidade contraída - o que acabou acontecendo e quase o ceifou ( Fp 2.27: Com efeito, adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.) – ou ainda pela condenação de Paulo. 

Foi o amor que moveu tanto Jônatas quanto Epafrodito a deixar interesses pessoais para cuidar dos interesses do objeto de seu amor. Paulo em I Co. 13.4 e 5 diz o seguinte: “O amor ....... não procura os seus interesses, ....” . Isso era uma realidade na vida destes amigos. 

Jônatas estava pronto a abrir mão do trono, enquanto que Epafrodito abriu mão de trabalho, presença da família e dos irmãos da Igreja. Paulo diz que enviou Epafrodito de volta a Macedônia pois este estava com saudades da Igreja ( Fl. 2.25, 26: “Julguei, todavia, necessário mandar até vós Epafrodito, por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro, vosso mensageiro e vosso auxiliar nas minhas necessidades; Visto que ele tinha saudade de todos vós e estava angustiado porque ouvistes que adoeceu.”). Vejam que a amizade era recíproca pois Paulo abre mão de sua ajuda para que ele pudesse visitar os seus e sua igreja. 

Quando o amor fraternal rege os relacionamentos, há paz, respeito, sinceridade, transparência. Aquele amor foi algo tão significativo na vida de Davi e Jônatas que Davi ao saber da morte do Jônatas afirma: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres”. (II Sm. 1.26). 

Lamentavelmente esta passagem, e de modo geral a amizade entre Jônatas e Davi, é muito mal interpretada por alguns que erotizam o amor entre Davi e Jônatas. No Entanto, a luz do ensino geral das Escrituras fica claro que o amor que unia Jônatas e Davi era o amor fraternal.

IV – Uma Verdadeira Amizade é Fiel 

Jônatas e Davi tinham uma aliança. Em I Sm. 18.3 é dito que Davi e Jônatas fizeram aliança (“Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como a sua própria alma”). A natureza da aliança não é aqui declarada de modo explícito, mas creio que podemos inferir ser uma aliança de amor fraternal, ou seja, uma aliança de amizade. 

Nossa conclusão pode ser atestada pelo que encontramos no capítulo 20 verso 8: “ Usa, pois, de misericórdia para com o teu servo, porque lhe fizeste entrar contigo em aliança no Senhor; se, porem, há em mim culpa, mata-me tu mesmo; por que me levarias a teu pai?” . Ali vemos Davi evocando a aliança entre eles para pedir sua ajuda. Jônatas não se furta da aliança, mesmo sendo aquele um momento muito delicado onde muitas perdas e muita dor poderia ser experimentada, como já pudemos considerar acima. 

Jônatas não só mantêm a aliança como a renova e amplia nos versos 16 e 17: “Assim, fez Jônatas aliança com a casa de Davi, dizendo: Vingue o Senhor os inimigos de Davi. Jônatas fez jurar a Davi de novo, pelo amor que este lhe tinha, porque Jônatas o amava com todo o amor da sua alma”. Os versos seguintes mostram que o que havia sido combinado foi fielmente cumprido da parte de Jônatas e a passagem encontrada em II Sm. 9 mostra que Davi foi fiel a aliança que tinha com seu amigo Jônatas mesmo após sua morte. Ao saber que havia um filho de Jônatas vivo providencia para que ele recebesse tudo de que fosse necessário para ele e para os seus (II Sm 9.9, 10: “Chamou Davi a Ziba, servo de Saul, e lhe disse: Tudo o que pertencia a Saul e toda a sua casa dei ao Filho de teu senhor. Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu, e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para que a casa de teu senhor tenha pão que coma; porém Mefibosete, filho de teu senhor, comerá pão sempre à minha mesa. Tinha Ziba quinze filhos e vinte servos”) .

Uma verdadeira amizade é marcada pela fidelidade. 

Conclusão

Amigo é aquele com quem podemos ser nós mesmos. Ser nós mesmos implica uma apresentação sem reservas e espontânea de si mesmo, sem o autocontrole exigido pelas regras da polidez. Li certa vez que amigo é aquele com quem se pode pensar alto.

Amizade em nossos dias, em muitos casos, significa se aproximar de alguém que pode oferecer algo. Quando não tem mais o que oferecer deixa de ser amigo e aquele que até então não era amigo mas agora tem algo a oferecer, passa a ser o amigo da vez. Salomão fala sobre isso de modo claro em pelo menos duas passagens de Provérbios: Pv. 19.4, 6 – “As riquezas multiplicam os amigos; mas, ao pobre, o seu próprio amigo o deixa... Ao generoso, muitos o adulam, e todos são amigos do que dá presentes”.

O cachorro e o gato são interessantes ilustrações do que acabamos de dizer: Alguém já viu andarilhos ou moradores de rua com gatos? Certamente não, mas todos já os vimos com cachorros. Um cão morre de fome ao lado de seu dono, mas não o abandona, enquanto que o gato segue o primeiro que lhe oferecer comida. Vê-se que quando alguém quer ofender um falso amigo chamando-o de cachorro comete uma grande injustiça (com os cachorros, é claro).

Que tipo de amigo você tem sido e que tipo de amigos você tem ao seu redor? Que Deus faça de nós amigos de verdade e assim também nos dê amigos com quem tenhamos uma real aliança de amor fraternal.

Só pode ser amigo de verdade aquele que confia no Senhor, aquele que sabe que Deus está no controle de todas as coisas e que cuida dos seus. Em Pv. 29.25 encontramos as seguintes palavras: “Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no Senhor está seguro”. Quem confia no Senhor não precisa de armações, associações com falsas amizades pois ele tem a sua vida confiada co Senhor. Só este consegue ser amigo de verdade, sem medo de ser traído, sem medo de ser passado pra traz, sem busca de interesses pessoais.

“Em todo tempo ama o amigo, e na angustia se faz o irmão” Pv. 17.17

*****

Fonte: Monergismo 


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