Cinco Votos para Obter Poder Espiritual.

Primeiro - Trate Seriamente com o Pecado. Segundo - Não Seja Dono de Coisa Alguma. Terceiro - Nunca se Defenda. Quarto - Nunca Passe Adiante Algo que Prejudique Alguém. Quinto - Nunca Aceite Qualquer Glória. A.W. Tozer

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Lições de Martin Bucer para pastores (Parte 1 de 2)

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Como um presbítero, acho útil ler livros de pastores que compreenderam o evangelho bíblico, ainda que tenham vivido em diferentes séculos, continentes e culturas. Embora os principais pontos afirmados por esses homens raramente sejam completamente novos, contudo, encontro uma percepção nova e encorajamento específico a partir das perspectivas únicas desses homens.
Escrito na Europa no início do século XVI, Concerning the True Care of Souls [Sobre o Verdadeiro Cuidado das Almas], apresenta uma ilustração da séria e alegre responsabilidade do pastoreio. Martin Bucer escreveu o livro para que os cristãos “entendam minuciosamente o que é a igreja de Cristo, qual a regra e a ordem que ela deve ter, quem são os verdadeiros ministros e como eles devem exercer o seu ministério no cuidado das almas” (xxxiii). Embora existam muitas pérolas pastorais no livro, este resumo enfocará em alguns pontos que os pastores podem aplicar no ministério hoje.

O contexto de Bucer
Martin Bucer (1491-1551) não é tão conhecido quanto João Calvino ou Martinho Lutero, mas durante o século XVI, os escritos de Bucer e a reforma da igreja em Estrasburgo tiveram muita influência. Por exemplo, Calvino olhou para a eclesiologia de Bucer quando se esforçou para reformar Genebra. Bucer também obteve uma reputação como um mediador que buscava a unidade teológica mesmo quando esta parecia improvável.
Embora haja muito o que aprender com Bucer e “Sobre o Verdadeiro Cuidado das Almas”, ele ainda omite algumas questões. Por exemplo, sua compreensão da relação entre a igreja e o estado, embora melhorada em relação à cristandade medieval, permanece confusa. Além disso, seu uso regular do termo “penitência” não é útil, pois poderia ser mal interpretado que ele estava ensinando teologia semelhante à teologia dos Católicos Romanos.
Sobre o arrependimento genuíno
Em uma recente reunião de presbíteros na igreja em que eu ajudei o pastor, discutimos sobre o que fazer com um membro que repetidamente fornica e depois expressa ostensivamente estar arrependido. Esta situação, comum nos dias de Bucer e Calvino, é talvez ainda mais prevalente em nossos dias. Como os pastores hoje respondem aos membros que cometem pecado público grave, como a prostituição repetida ou o divórcio ilegítimo? Bucer argumenta que a igreja deve lidar com esses pecados graves “com grande seriedade e verdade, e não pode omitir ou perdoar os pecados de ninguém, exceto daquele sobre quem pode ser reconhecido, na medida do possível, estar verdadeiramente triste por seus pecados e comprometido de todo o seu coração a caminhar em retidão. Mas essa verdadeira tristeza e compromisso com a reforma após pecados mais sérios e grosseiros não é provada por alguém que se afasta do pecado que cometeu, simplesmente por dizer: ‘Sinto muito, não o farei novamente’ (118; cf.. 160 -161). Falando sobre a mesma situação, Bucer afirma posteriormente que a igreja deve buscar “muitos e sérios indícios de seu arrependimento” (161).
Ecoando a seriedade com que as Escrituras lidam com esses pecados (cf.. 1 Coríntios 6.9-11; Efésios 5.3-7; Gálatas 5.19-21), Bucer fornece uma correção útil para o nosso tempo em que podemos nos tornar habituados com aquilo que a nossa cultura e corações pecaminosos celebram. Então, companheiro presbítero, como você está avaliando um arrependimento genuíno, especialmente em casos de pecados públicos e graves? O membro em questão toma medidas para evitar o pecado, como romper um relacionamento, encontrar um novo emprego ou mudar a sua situação de moradia? Se não, considere ser apropriado atentar ao conselho de Bucer: “Não é correto que [a igreja] perdoe alguém assim que diz: ‘Eu me arrependo dos meus pecados’, quando não há nada que indique este arrependimento” (136). Bucer observa que “todo cristão verdadeiramente arrependido se comprometerá de forma muito sincera e alegre com toda a correção e humilhação propostas pela igreja, pois ele terá mais consciência da misericórdia de Deus e do amor verdadeiro de todos os santos” (134). Embora seja impossível discernir perfeitamente o arrependimento e a motivação de alguém, os pastores podem e devem buscar sinais de que um arrependimento professado é genuíno, recusando-se a aceitar alguém que simplesmente diz: “Desculpem-me, não farei mais isso” (161).
Sobre a disciplina eclesiástica
Para pessoas do século XXI como eu, o tema da disciplina eclesiástica soa como algo rude e abusivo. Ainda que se exercida indevidamente com certeza, e tristemente, pode sê-lo, porém Bucer fornece uma visão diferente. Conhecido como um homem pacificador do século XVI, Bucer afirmou que “se a igreja realizar esta disciplina com adequado fervor, o Senhor, o principal Médico das pobres almas, a abençoará com êxito e um grande e notável fruto” (143). Quantos cristãos sofrem com o abuso da falta de cuidado espiritual nas mãos de pastores que se recusam a prestar atenção aos conselhos de Bucer e, mais importante, do próprio Cristo (cf… Mateus 18.15-20)?
Falando sobre a disciplina eclesiástica amplamente definida, Bucer escreve que “se apenas este remédio das almas fosse prescrito e aplicado com a moderação e diligência que falamos acima, isso apenas poderia e iria resultar, por esta ser uma obra e ordem Cristo, em operar grande piedade e reforma, em vez de ser meramente prejudicial ou impossível” (151). Como Bucer observa, há necessidade de muita sabedoria, cuidado e moderação nesta questão, mas é certo que a disciplina é necessária. Evitar lidar com o pecado — ou seja, com o seu próprio ou de outro cristão — pode gerar menos trabalho, mas também demonstra menos amor.

Continua na Parte 2.
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Fonte: Voltemos ao Evangelho



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