Cinco Votos para Obter Poder Espiritual.

Primeiro - Trate Seriamente com o Pecado. Segundo - Não Seja Dono de Coisa Alguma. Terceiro - Nunca se Defenda. Quarto - Nunca Passe Adiante Algo que Prejudique Alguém. Quinto - Nunca Aceite Qualquer Glória. A.W. Tozer

terça-feira, 8 de março de 2016

Onisciência e Livre-arbítrio não podem se compatibilizar

 

Predestinação em Jó - Gordon Haddon Clark

O próximo livro é o de Jó. Se esse livro foi escrito por ou sobre alguém que viveu nos dias de Abraão, podemos ver quão cedo e quão enfaticamente Deus revelou o princípio da predestinação. O apóstolo Paulo, embora o tenha proclamado irrefragavelmente, chegou atrasado. Muito do livro de Jó pode ser chamado de material de pano de fundo. Tais passagens não tornam todas as coisas explícitas, mas dificilmente fazem sentido fora da doutrina calvinista.

Por exemplo, no capítulo 1 Satanás aparece no Céu diante de Deus.

Eles discutem sobre a justiça de Jó. Eis o teste descrito: “E disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão.” Quando os desastres e a perda de sua parentela tomaram lugar, “em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.” Então Satanás pediu para atormentar Jó em seu corpo, pois tinha dito: “Porém estende a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se não blasfema contra ti na tua face!”. Ao que Deus replicou: “Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida.”


Os arminianos, usualmente, estão inteiramente contentes em ter Deus “permitido” coisas, coisas más, acontecerem. Eles não estão desejosos em dizer que Deus causa o acontecimento delas. E eles se perturbam até à indignação se alguém diz que Deus causa um homem escolher o mal. Os calvinistas perguntam: Pode a primeira ser mantida sem a última?

Pode ser observado, em primeiro lugar, que o próprio Satanás considera a sua tortura sobre Jó como algo feito por Deus. “Porém estende a tua mão”, diz Satanás, “e toca-lhe na carne”. Se não desenvolvermos esse ponto – reconhecendo que Satanás era a causa imediata da miséria de Jó, e até mesmo dizer que Deus “permitiu” isso tudo – a idéia de permissão dificilmente absolve Deus da variedade arminiana de responsabilidade. Deus sabia o que Satanás faria; e Deus disse: “Faça.” O texto em si mesmo chama a atenção para o ponto de que Satanás nada pode fazer sem a permissão de Deus. O fato que Satanás estava nas mãos de Deus não é algo que os arminianos podem aprovar.

Mas há mais. Mesmo antes do capítulo 2, os Sabeus destruíram alguns dos filhos de Jó à espada. Omito o fogo do versículo 16. Os Caudeus assassinaram alguns outros servos e roubaram os camelos. Para cumprirem-se essas coisas, os sabeus e os caldeus tiveram que decidir fazê-las. O capítulo certamente sugere, sem dúvidas, que Satanás poderia efetivar essas tragédias. Então ele deve ter sido capaz de controlar as volições dessas pessoas. Que seja dito uma vez, e que seja dito duas vezes, que Satanás não poderia ter usado os saqueadores a não ser que Deus tivesse lhe dado permissão. Mas permanece o fato que Satanás controlou o que os arminianos reputam como livre-arbítrio. Contudo, vontades “livres” são aquelas que não são causadas por nada.

Jó 10:8-9 repete uma idéia encontrada antes, e que será repetida por todo o Antigo e Novo Testamento com ênfase crescente. O versículo diz: “As tuas mãos me fizeram… como barro me formaste.” Visto que as implicações do Oleiro e do barro vêm à tona posteriormente, aqui podemos avançar para a próxima passagem.

Jó 14:5, lê-se: “seus dias estão determinados… tu lhe puseste limites, e não passará além deles.” Isso, de fato, obviamente indica que Deus controla a extensão da vida de uma pessoa. Essa predestinação abrangente não perturba nossos oponentes. Contudo, esse é um dos muitos detalhes que, quando reunidos, mostram que Deus governa todas as suas criaturas e todas as ações delas. A referência a “limites, e não passará além deles” pode também significar nada mais que a extensão da vida. Mas se talvez, como Atos 17:26, isso inclua “limites da sua habitação”, a inferência seria que Deus determina onde o homem escolhe viver, de tal maneira que não poderia escolher um outro lugar.

Há muitas passagens que por si mesmas não estabelecem a doutrina da predestinação total. Os arminianos podem corretamente insistir que os argumentos baseados nelas são logicamente inconclusivos. A despeito disso, são enumerados tantos detalhes aqui e acolá, que a descrição como um todo favorece a predestinação total e é destituída de qualquer menção contrária. Por exemplo, Jó 15:14 ensina que os bebês não nascem justos, ou mesmo neutros, mas definitivamente pecaminosos. Mais convincente é Jó 19:8-20. Essa passagem indica que Deus mudou os pensamentos e considerações dos irmãos de Jó, conhecidos, parentes, servas, domésticos, filhos e esposa. Note que Deus não apenas causou certos tormentos físicos, mas ele causou, no povo mencionado, a mudança de suas atitudes em relação a Jó. Nada nessa calamitosa situação ocorreu sem a atividade divina.

Em 23:10, Jó reconhece que Deus eventualmente o faria sair como ouro; não obstante isso, esses males são o que Deus deseja (v. 13): “O que a sua alma quiser, isso fará. Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito... Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-Poderoso me perturbou.” No primeiro capítulo Satanás havia pedido permissão para fazer essas coisas, mas Jó reconhece que elas foram ações de Deus.

Outra idéia começa a emergir em Jó 31:4, uma idéia que é claramente contrária à doutrina do livre-arbítrio. O versículo diz: “Ou não vê ele os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?” À primeira vista isso pode parecer que Deus, após ter sido ignorante por um tempo, começou a olhar para Jó e contar seus passos. Assim, Deus aprendeu algo que não sabia antes. Esse é o motivo da sentença acima dizer que uma outra idéia começa a emergir. A idéia é relativa ao conhecimento de Deus. Versículos posteriores darão uma explanação mais adequada do conhecimento de Deus, e então se tornará evidente que onisciência e livre-arbítrio não podem se compatibilizar.

A seguir, seria bom ler Jó 33:4-17, no qual essas frases aparecem: “do barro também eu fui formado… observa todas as minhas veredas… não responde acerca de todos os seus feitos… revela ao ouvido dos homens, e lhes sela a sua instrução, para apartar o homem daquilo que faz…”.

Novamente a Escritura diz que Deus é o oleiro e nós somos o barro. Ele faz cada um de nós o tipo de vaso que escolhe. Ninguém pode chamá-lo para prestar contas; ele não é responsável a nós, nem a alguém outro. Se lhe agrada mudar nossos propósitos e escolhas, ele assim o faz.


Se algum homem tenta considerar Deus responsável por algo, Deus responde (Jó 38:4, 31): “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência… Ou poderás tu ajuntar as delícias do Sete-estrelo ou soltar os cordéis do Órion?”. Não é prerrogativa humana replicar contra Deus. “Porventura o contender contra o Todo-Poderoso é sabedoria? Quem argüi assim a Deus, responda por isso” (Jó 40:2). Essas não são palavras de um calvinista direcionadas a Tiago Armínio e John Wesley. São palavras de Deus!

Mas talvez o versículo mais forte, dentre todos esses, é Jó 42:2. Na King James Version lê-se: “Eu sei que tu podes fazer todas as coisas, e que nenhum pensamento pode ser retido de ti.”A America Standard Version 1901 faz isso um pouco mais claro: “Eu sei que tu podes fazer todas as coisas, e que nenhum dos teus propósitos pode ser restringido.” Deus pode fazer todas as coisas.


Ele pode e muda os pensamentos dos homens. Era seu propósito que Judas deveria escolher trair Cristo. Judas não poderia ter escolhido de outra maneira.
Sua vontade não era livre. De outro modo, Judas poderia ter arruinado o plano eterno de Deus e violado todas as profecias. Era também o propósito de Deus mudar a vontade de Paulo. Paulo não poderia ter resistido à visão celestial. Doutra sorte, Paulo poderia ter arruinado o plano de Deus para a pregação do Evangelho aos gentios.


E toda essa teologia foi revelada a Jó talvez tão cedo quanto 2000 a.C.

- Tradução: Jazanias de Assis Oliveira

- Fonte: Monergismo 
- Fonte (Original): Predestination, Gordon H. Clark, Presbyterian and Reformed Publishing Co., páginas 168-72.

- Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Via: Página Peregrino Puritano 




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