Cinco Votos para Obter Poder Espiritual.

Primeiro - Trate Seriamente com o Pecado. Segundo - Não Seja Dono de Coisa Alguma. Terceiro - Nunca se Defenda. Quarto - Nunca Passe Adiante Algo que Prejudique Alguém. Quinto - Nunca Aceite Qualquer Glória. A.W. Tozer

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A falsa dicotomia entre "doutrina correta" e "prática correta"!

"Conversão de S. Paulo"
Quadro de Caravaggio em 1600
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Vivemos em uma época onde os defensores da "sã doutrina" parecem desligados da justiça e distantes dos oprimidos. E, da mesma forma, os ditos defensores da justiça e do oprimido parecem distantes da "sã doutrina". Bom, é a velha e falsa dicotomia ortodoxia (doutrina reta) versus ortopraxia (conduta reta). Parece que o amor e a verdade são dois universos incompatíveis.

É “polêmica velha” porque sempre os defensores do “Evangelho Social” renegaram algumas verdades fundamentais do cristianismo em nome do “amor ao próximo”. E, depois do advento da pós-modernidade ou hipermodernidade, qualquer proclamação de verdade é associada à intolerância. Os “evangelistas do social” ligam qualquer revindicação da verdade com uma incompatibilidade em ajudar o próximo e amá-lo verdadeiramente. E, também, é uma polêmica falsa porque não é possível falar em amor desassociado de verdade. Jesus era ao mesmo tempo preocupado com a narrativa correta (“Quem dizem os homens que eu sou?”) e com a prática elevada (“Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos”). Sim, em Jesus Cristo não havia essa dicotomia. Com Ele era a verdade e o amor ao mesmo tempo.

Hans Urs von Balthasar escreveu magistralmente sobre essa relação:

"Não se pode contemplar o Senhor presente, como um mero objeto ou ideia, mas só como Aquele que é o dom do Pai para nós e por isso nos dirige uma interpelação. De fato toda a Graça inclui a exigência de corresponder a ela; cada contemplação (teoria) já contém em si o momento da conversão (práxis). Por isso não existe na meditação nenhum limite nítido entre os atos da inteligência e os da vontade. Paulo, dominado pela visão do Senhor e atirado por terra, só tem uma resposta: 'Senhor, o que queres que eu faça?' (At 9.6). Não que o olhar do contemplante deva primeiro desviar-se do olhar de Jesus, para aplicar em si as considerações morais; mas na contemplação mesma, e para ver e compreender melhor e mais profundamente, é preciso empreender também e sempre, uma mudança da própria conduta. Mudança essa que não procede do meu olhar para dentro de mim mesmo ou ainda, do meu olhar para Jesus, mas do Seu olhar para mim, que 'é um juiz dos pensamentos e sentimentos do coração...Tudo se apresenta nu e patente aos olhos Daquele a quem devemos prestar contas um dia' (Hb 4.12)." [1]

Portanto, não queira criar dicotomias. Amor e Verdade não são rivais, pois são virtudes do próprio Deus. Ninguém é dono da verdade, mas isso não significa relatividade ou a não existência da mesma. Os incontestáveis e os relativistas são distorções e parasitas de dois valores universais. O amor torna o homem semelhante a Deus, mas não necessariamente produz acesso a Ele. O escritor C. S. Lewis dizia: “Nenhum riqueza, de qualquer espécie, é passaporte para o Reino dos Céus” [2], nem mesmo a riqueza do amor advinda da Imago Dei, que está em todos os humanos. Um homem por ser a imagem e semelhança de Deus pode ser exemplo de altruísmo, mesmo não conhecendo o Altíssimo. Uma pessoa que ama pode até parecer com Deus, mas não estar próximo a Ele. Isso é possível. Assim como é possível defender a verdade, desprovido da própria Verdade, que é a pessoa de Jesus. 

Mas, tudo isso, são apenas reflexos de uma imagem distorcida lá no Éden.

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